Respeitar as instituições é proteger a democracia

Por Esdras Dantas de Souza

Quando a crítica vira desmoralização

Nos últimos anos, o debate político no Brasil ganhou um tom mais duro — e, em muitos casos, perigoso. O que deveria ser crítica legítima às decisões públicas tem se transformado, com frequência, em ataques diretos às instituições.

O Supremo Tribunal Federal, e seus membros, por exemplo, passaram a ser alvo constante de discursos que ultrapassam o campo do debate jurídico e entram no terreno da desmoralização. Isso preocupa porque, independentemente de concordarmos ou não com decisões judiciais, as instituições são pilares que sustentam a democracia.

O papel das instituições na vida do cidadão

Instituições como o Judiciário, o Congresso e o Executivo existem para garantir direitos, resolver conflitos e manter a ordem.

Sem elas:

  • não há segurança jurídica
  • não há previsibilidade
  • não há proteção ao cidadão

Criticar faz parte da democracia. Mas enfraquecer a confiança nessas estruturas pode gerar instabilidade — e quem mais sofre com isso é o próprio povo.

Quando interesses pessoais entram em cena

Parte dos ataques às instituições não nasce de preocupação com o país, mas de interesses individuais.

É comum observar que:

  • políticos investigados ou denunciados tentam desacreditar órgãos que os investigam
  • discursos são construídos para gerar desconfiança generalizada
  • narrativas simplificadas são usadas para mobilizar apoiadores

Nesse cenário, o foco deixa de ser o interesse público e passa a ser a autoproteção.

Fé, política e responsabilidade

Outro ponto sensível é o uso de espaços religiosos como instrumentos políticos.

A fé tem um papel importante na vida de milhões de brasileiros. No entanto, quando igrejas são transformadas em palanques eleitorais, surge um risco:

a influência espiritual pode ser usada para direcionar decisões políticas sem o devido senso crítico

Muitos fiéis confiam profundamente em seus líderes — o que aumenta ainda mais a responsabilidade de quem ocupa essas posições.

O papel do cidadão: consciência e equilíbrio

A democracia não depende apenas das instituições. Ela depende, principalmente, das pessoas.

Por isso, é fundamental que o cidadão:

  • busque informação de qualidade
  • questione discursos prontos
  • evite seguir líderes de forma cega
  • reflita antes de compartilhar ou apoiar ideias

A confiança não deve ser automática — deve ser construída com base em atitudes, histórico e compromisso real com o país.

O que está em jogo

Quando instituições são constantemente atacadas:

  • a democracia enfraquece
  • a polarização aumenta
  • o diálogo se perde
  • o país deixa de avançar

Por outro lado, quando há respeito institucional:

  • o debate se qualifica
  • a justiça funciona melhor
  • a sociedade ganha estabilidade

Conclusão: respeitar não é concordar — é preservar

Respeitar instituições não significa concordar com tudo o que elas fazem.

Significa reconhecer que elas são essenciais para o funcionamento do país.

O Brasil precisa de crítica, sim.
Mas precisa, acima de tudo, de responsabilidade.

Porque, no fim das contas, quando as instituições caem…
quem paga a conta é sempre o povo.

Esdras Dantas de Souza é advogado, professor, colunista do Ordem Democrática e presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)

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