ESDRAS DANTAS DE SOUZA: O QUE A ADVOCACIA ME ENSINOU SOBRE DINHREITO

Por Esdras Dantas de Souza

Durante muitos anos de advocacia, aprendi uma coisa que talvez devesse ser ensinada aos jovens profissionais desde o início: dinheiro é importante, mas não pode ser o senhor da nossa carreira.

A advocacia é uma profissão e também é o nosso trabalho. É dela que retiramos os recursos para sustentar nossas famílias, manter nossos escritórios, investir em conhecimento e construir uma vida com dignidade. Portanto, não há nada de errado em querer prosperar.

O erro começa quando passamos a medir o nosso valor — ou o valor das pessoas — exclusivamente pelo dinheiro.

A advocacia me ensinou que existem causas que parecem financeiramente excelentes e custam caro demais à nossa tranquilidade. Existem clientes que prometem bons honorários, mas exigem que sacrifiquemos princípios. E existem oportunidades que parecem pequenas no presente, mas podem representar o início de grandes relações profissionais.

Aprendi também que cobrar honorários justos é uma forma de respeitar o próprio trabalho.

Durante a carreira, investimos anos estudando, acumulando experiência e assumindo responsabilidades. Quando um cliente procura um advogado, não está contratando apenas algumas horas de trabalho. Está recorrendo ao conhecimento, à experiência, ao discernimento e à responsabilidade daquele profissional.

Por isso, não devemos ter vergonha de falar sobre honorários.

Mas há outra lição igualmente importante: nem todo ganho pode ser contado em dinheiro.

Há pessoas que ajudamos e que jamais poderão nos retribuir financeiramente. Há colegas aos quais abrimos uma porta. Há conhecimentos que compartilhamos sem cobrar nada. Há causas que nos proporcionam mais satisfação do que remuneração.

Com o passar dos anos, compreendi que prosperidade verdadeira talvez seja justamente encontrar esse equilíbrio: ganhar o suficiente para viver com dignidade sem precisar vender aquilo que não tem preço.

O dinheiro compra conforto. Pode proporcionar segurança, liberdade e oportunidades. Tudo isso é legítimo e desejável.

Mas dinheiro não compra reputação. Não compra amizade verdadeira. Não compra respeito espontâneo. E, sobretudo, não recupera facilmente a consciência de quem sacrificou seus princípios para obtê-lo.

Se pudesse aconselhar um jovem advogado, diria: aprenda a ganhar dinheiro com a advocacia. Valorize seu trabalho. Cobre honorários dignos. Organize sua vida financeira. Procure prosperar.

Mas nunca permita que o desejo de ganhar dinheiro determine quem você será.

Porque, no final da caminhada, talvez a pergunta mais importante não seja:

“Quanto consegui acumular?”

Mas outra:

“O que precisei sacrificar para conseguir?”

Essa resposta pode revelar muito mais sobre a nossa trajetória do que qualquer patrimônio.

Esdras Dantas de Souza
Advogado, Professor, Escritor e Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA).
Foi Advogado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Presidente da OAB/DF, Diretor do Conselho Federal da OAB, Juiz Titular do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal e Conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Todos os direitos reservados © 2024. Ordem Democrática. Desenvolvido por www.mindsetmkd.com.br