Profissionais descumprem carga horária e falsificam escalas na central do SAMU, aponta investigação.
A saúde pública no Rio Grande do Sul foi abalada por uma revelação preocupante: médicos na central do SAMU estão descumprindo a carga horária e manipulando escalas de plantão. O programa “Fantástico”, exibido no último domingo (27), expôs a situação que envolve médicos reguladores que deveriam estar presentes por 12 horas, das 19h às 7h, mas que não respeitam horários de entrada e saída.
Com o uso de câmeras ocultas, a reportagem flagrou a irregularidade durante três madrugadas. O horário de entrada e saída dos médicos deveria ser estritamente cumprido, mas a investigação revelou que isso nem sempre acontece. As câmeras captaram o médico Renan Renno Schumann chegando cinco horas atrasado, permanecendo no local por apenas quatro horas e partindo.
Relatórios internos da central, obtidos pela reportagem, confirmaram as discrepâncias nos horários de atendimento. O caso também envolveu a médica Fabiane Andrade Vargas, que trabalhou apenas quatro horas de uma jornada de 12 horas. A situação mais surpreendente ocorreu em um dia que não havia nenhum médico atendendo, apesar da escala prevista para sete profissionais.
A investigação revelou que, em média, 60 horas de cada 100 que os médicos reguladores deveriam cumprir presencialmente não eram realizadas, e que as faltas irregulares eram abonadas pela direção da central. Responsáveis pelo SAMU admitiram a irregularidade, inclusive o coordenador médico, Jimmy Herrera, que confessou estar ciente da situação. Herrera também revelou que a presença de médicos se intensificava quando ele estava presente na central.
A investigação destacou a preocupação com a integridade das escalas e o cumprimento correto das cargas horárias. A reportagem procurou os médicos citados, bem como os responsáveis pela central de regulação do SAMU no Rio Grande do Sul, expondo uma situação que requer esclarecimentos e ações para garantir o funcionamento adequado do serviço de emergência médica.
A reportagem trouxe à tona questões cruciais sobre a integridade e o funcionamento adequado da central do SAMU no Rio Grande do Sul. O descumprimento da carga horária por médicos reguladores e a manipulação das escalas de plantão são práticas que colocam em risco a eficiência e a confiabilidade do serviço de atendimento emergencial.
A transparência e a responsabilidade são requisitos fundamentais em qualquer instituição, especialmente na área da saúde. A exposição das irregularidades evidencia a necessidade de investigações aprofundadas e de medidas corretivas imediatas para restabelecer a confiança no sistema de atendimento médico de urgência.
A sociedade espera e merece um sistema de saúde pública que funcione de maneira íntegra e eficaz, onde os profissionais cumpram suas obrigações e responsabilidades, garantindo um atendimento de qualidade para aqueles que dependem desses serviços em momentos de emergência. A reportagem serve como um alerta e um chamado para que sejam tomadas medidas apropriadas para corrigir as irregularidades, promovendo um ambiente de trabalho ético e comprometido com a missão de salvar vidas.
As informações são do site G1