O governo britânico decide adiar pela quinta vez os controles nas importações de alimentos da União Europeia, temendo aumentos de preços e interrupções no abastecimento.
Os desdobramentos do Brexit continuam a reverberar na economia do Reino Unido, e um dos sintomas mais recentes dessa realidade é a decisão do governo de adiar, pela quinta vez, a implementação de controles de saúde e segurança nas importações de alimentos provenientes da União Europeia (UE).
Essa medida é motivada pelo receio de que controles adicionais possam inflacionar os preços dos alimentos e causar perturbações no fornecimento geral. A situação ilustra que o país ainda enfrenta as consequências da sua saída da União Europeia, ocorrida em janeiro de 2020.
Desde então, os produtores de alimentos do Reino Unido têm enfrentado controles fronteiriços rigorosos para os produtos exportados para a União Europeia. Esse entrave burocrático afetou negativamente as empresas, pesando sobre o comércio e, consequentemente, sobre o crescimento econômico.
Outra repercussão do Brexit foi o aumento da inflação, atribuído à valorização das importações. A UE fornece cerca de 28% dos alimentos consumidos no país. No início deste ano, as principais redes de supermercados britânicos tiveram que impor racionamento de frutas e vegetais devido a condições climáticas desfavoráveis que afetaram a produção, resultando em uma crise nas importações.
Um estudo recente da London School of Economics revelou que a saída do Reino Unido da UE contribuiu com cerca de um terço da inflação dos preços dos alimentos no país desde 2019, somando aproximadamente 7 bilhões de libras (cerca de US$ 8,8 bilhões) aos gastos com alimentos.
A inflação no Reino Unido atingiu níveis alarmantes, sendo a mais alta entre as nações do G7, o grupo das nações mais industrializadas do mundo.
O governo justificou a prorrogação dos prazos afirmando que isso “daria às partes interessadas mais tempo para se prepararem para as novas verificações”. Seguindo o novo cronograma, a certificação sanitária para “alimentos de alto risco” e produtos animais e vegetais de “médio risco”, inicialmente planejada para o final de outubro, agora foi adiada para janeiro de 2024. Essa postergação reflete a complexidade dos desafios que o Reino Unido enfrenta à medida que lida com as consequências contínuas do Brexit em sua economia e abastecimento de alimentos.
Com as informações da CNN