Com a sofisticação das fraudes online, ninguém está imune — nem mesmo advogados. Informação, prevenção e orientação jurídica tornaram-se as principais armas contra esse novo tipo de crime.
Por Dante Navarro
O crime mudou de lugar.
Saiu das ruas.
Entrou no celular.
E passou a agir em silêncio.
Hoje, basta um clique.
Uma mensagem.
Um link aparentemente inofensivo.
E, em poucos minutos, vidas inteiras podem ser afetadas.
Os golpes digitais cresceram de forma alarmante no Brasil — e o mais preocupante não é apenas o número de vítimas.
É o fato de que qualquer pessoa pode ser a próxima.
Quando o golpe parece legítimo
Os criminosos evoluíram.
Não são mais mensagens mal escritas ou ligações suspeitas.
Hoje, eles dominam linguagem, contexto e até comportamento.
Se passam por bancos.
Por empresas conhecidas.
Por familiares.
E — o que tem se tornado cada vez mais comum —
por advogados.
Sim.
Escritórios têm sido usados como fachada.
Nomes de profissionais são utilizados indevidamente.
Mensagens são enviadas a clientes, informando “liberação de valores judiciais”, “alvarás”, “ganho de causa”.
Tudo parece real.
Mas não é.
Advogados também são vítimas
Há um dado que precisa ser destacado com seriedade:
advogados estão sendo vítimas diretas desses golpes.
Seus nomes, fotos, números de OAB e até timbres são utilizados por criminosos para aplicar fraudes.
O prejuízo não é apenas financeiro.
É também reputacional.
Clientes são enganados acreditando estar falando com seu advogado.
Transferem valores.
E, quando percebem o golpe, a confiança já foi abalada.
Isso exige um novo nível de atenção por parte da advocacia.
Porque, agora, não basta proteger o cliente.
É preciso proteger também a própria identidade profissional.
Os golpes mais comuns hoje
Entre os principais, destacam-se:
- Falsos contatos de advogados via WhatsApp
- Mensagens sobre liberação de valores judiciais
- Links falsos de bancos e instituições financeiras
- Clonagem de contas e perfis profissionais
- Boletos adulterados enviados por e-mail ou mensagem
O padrão é sempre o mesmo:
- Urgência
- aparência de legitimidade
- pedido de pagamento imediato
E é exatamente aí que mora o perigo.
Informação é proteção
A melhor defesa contra golpes digitais não é tecnologia.
É consciência.
Desconfie de mensagens urgentes demais.
Nunca realize pagamentos sem confirmar a origem.
Verifique diretamente com seu advogado, por canais oficiais.
Evite clicar em links desconhecidos.
E, acima de tudo:
não tome decisões sob pressão.
Golpistas dependem da pressa.
A proteção nasce da cautela.
Quando procurar um advogado?
Muitas pessoas só buscam ajuda depois do prejuízo.
Mas a atuação jurídica pode — e deve — ser preventiva.
O advogado pode:
- orientar sobre riscos digitais
- validar comunicações suspeitas
- atuar na responsabilização de instituições
- buscar recuperação de valores
- adotar medidas judiciais cabíveis
Em casos de golpe, o tempo é decisivo.
Quanto mais rápida a ação, maiores as chances de minimizar danos.
Um novo papel para a advocacia
Diante desse cenário, a advocacia assume um papel ainda mais relevante.
Não apenas como defensora de direitos,
mas como agente de proteção da sociedade.
E isso exige:
- atualização constante
- comunicação clara com os clientes
- orientação preventiva
- e postura firme diante das fraudes
Palavra do Presidente
O presidente da Associação Brasileira de Advogados, Esdras Dantas, alerta:
“Os golpes digitais não atingem apenas o patrimônio.
Eles atingem a confiança.
E proteger essa confiança é uma missão que a advocacia precisa assumir com ainda mais responsabilidade.”
Conclusão
Os golpes digitais não vão parar.
Eles vão evoluir.
Se tornar mais sofisticados.
Mais difíceis de identificar.
Mas há algo que também pode evoluir:
o nível de informação e proteção da sociedade.
Porque, no fim das contas,
o maior risco não está na tecnologia.
Está na falta de orientação.
E é exatamente por isso que o papel do advogado, hoje,
é mais necessário do que nunca.
Fique atento. Confirme. Questione. Proteja-se.
E, diante de qualquer dúvida,
procure orientação jurídica.
Conteúdo educativo para o Pauta Brasil, com foco em prevenção e orientação jurídica à população.
Dante Navarro é colunista do OD