Com a mudança para o trabalho híbrido, os edifícios de escritórios em cidades globais estão enfrentando altas taxas de desocupação.
Em muitas partes do mundo, os icônicos arranha-céus que costumavam ser o coração pulsante das atividades comerciais estão agora sentindo o vazio à medida que o trabalho híbrido se torna a norma. Isso levanta a questão: o que fazer com esses espaços? Devemos esperar por um retorno ao “normal” ou repensar esses locais?
Antes da pandemia, os escritórios eram uma segunda casa para muitos. As escrivaninhas eram personalizadas com objetos pessoais e as canecas favoritas eram lavadas todas as noites. No entanto, com a adoção do trabalho híbrido, essa rotina foi drasticamente reduzida.
Dados de julho da imobiliária norte-americana Cushman & Wakefield revelam que edifícios comerciais em Manhattan apresentaram uma taxa de desocupação de 22,4% no segundo trimestre de 2023. Em São Francisco, onde a taxa de escritórios desocupados antes da pandemia era quase nula, essa taxa aumentou para 31,8%. No centro de Londres, embora os edifícios não estejam tão vazios, a taxa de desocupação atual é quase o dobro da média histórica.
Mesmo nos escritórios atualmente ocupados, o tráfego de pessoas é mais esporádico, com picos durante a semana e esvaziamento aos finais de semana. Muitos profissionais planejam ir ao escritório apenas dois dias por semana ou menos, de acordo com a companhia Leesman, especializada em análise de ambientes de trabalho.
Essa realidade significa que muitas empresas estão pagando por mais espaço do que realmente utilizam. A pesquisa da Leesman indica que as empresas estimam precisar de escritórios 30% a 40% menores do que antes da pandemia.
O problema é que muitas dessas empresas ainda estão nos mesmos edifícios, o que as leva a perder receita devido ao espaço não utilizado. Alguns estão se desfazendo de espaços que ocupam há anos, como fez a empresa Dropbox, que registrou um prejuízo significativo em 2022 devido a escritórios não utilizados.
Além disso, alguns edifícios estão ficando vazios para sempre, uma vez que não podem ser facilmente transformados em locais de uso misto. Grandes conversões em residências são possíveis, mas, financeiramente, isso pode ser desafiador.
Embora alguns especialistas questionem a viabilidade dessas conversões, empresas estão sublocando partes de seus espaços para outras firmas que buscam locais menores. No entanto, isso pode levar a problemas de lotação e falta de espaços adequados para todos os funcionários.
Para atrair profissionais de volta ao escritório, algumas empresas estão redesenhando seus espaços, criando ambientes colaborativos e flexíveis. O futuro dos escritórios de alto padrão que conhecemos está em transformação, mas é incerto se esses espaços permanecerão vazios ou encontrarão novos usos nos centros urbanos.
A transformação dos escritórios vazios em apartamentos é uma abordagem que algumas construtoras estão adotando em todo o mundo. Em Manhattan, por exemplo, um bloco comercial de 102 mil metros quadrados está sendo convertido em uma torre residencial com 1,3 mil apartamentos. No entanto, essas conversões ainda representam apenas uma pequena porcentagem dos novos complexos de apartamentos nos Estados Unidos.
A moradia é a forma mais comum de reutilização dos edifícios comerciais vazios, mas a viabilidade econômica dessas transformações pode ser desafiadora. Reformar essas construções para acomodar residências pode elevar os preços a níveis que não atendem à demanda por moradia acessível. Problemas de zoneamento e infraestrutura também podem dificultar essas conversões.
Outra solução que algumas empresas estão adotando é sublocar espaços não utilizados para outras firmas. Isso pode criar um novo problema de lotação e falta de espaço de trabalho adequado para todos os funcionários, apesar de uma parte deles estar no escritório.
É importante destacar que nem todas as empresas estão perdendo espaço de escritórios. Algumas estão investindo em redesenhar seus ambientes de trabalho para atrair funcionários de volta. A pesquisa sugere que muitos profissionais estão dispostos a comparecer ao escritório para tarefas que requerem alta concentração, mas também desejam ambientes mais flexíveis e colaborativos.
Em resumo, o futuro dos escritórios vazios nas grandes cidades ainda é incerto. As mudanças estão ocorrendo e os escritórios de alto padrão estão se adaptando para atender às novas demandas dos profissionais, mas a transformação completa desses espaços e seu destino a longo prazo permanecem em aberto.