Quando o honorário vira barganha: a insegurança financeira que assombra a advocacia brasileira

Não é crise de vocação. É crise de sustentabilidade.
Milhares de advogados brasileiros vivem hoje sob uma pressão silenciosa: honorários cada vez mais espremidos, clientes negociando como se estivessem em uma feira livre e uma instabilidade mensal que impede qualquer planejamento de vida. Trabalha-se muito, estuda-se sempre, mas o resultado financeiro raramente acompanha o esforço.

Dói porque não dá para viver de vocação quando o fluxo de caixa vive em UTI.

O problema não é trabalhar pouco. É receber mal.

Existe um equívoco perigoso que se espalhou pela advocacia: o de que dificuldades financeiras são fruto de falhas individuais. Não são.
Na maioria das vezes, o problema é estrutural.

A insegurança financeira se manifesta quando:

  • o honorário é questionado antes mesmo de o serviço ser compreendido;
  • o advogado sente vergonha de cobrar o que é justo;
  • qualquer proposta vira “melhor do que nada”;
  • o fim do mês chega antes da tranquilidade.

Isso corrói não apenas o bolso, mas a autoestima profissional.

A faculdade ensinou Direito. O mercado cobra estratégia.

A formação jurídica prepara excelentes técnicos.
Mas não ensina, na prática:

  • precificação de serviços;
  • posicionamento profissional;
  • negociação com firmeza;
  • construção de autoridade que sustente honorários.

O resultado é previsível: o cliente impõe o preço, e o advogado aceita — não por concordar, mas por medo da instabilidade.

Honorários aviltados não são humildade. São sinal de fragilidade.

Há uma verdade incômoda no mercado jurídico:

Quem não sustenta valor, acaba aceitando preço.

Quando o advogado não se posiciona:

  • aceita causas que não quer;
  • trabalha mais para ganhar menos;
  • vive apagando incêndios;
  • permanece refém da urgência financeira.

Isso não é advocacia sustentável.
É sobrevivência — e das mais desgastantes.

Segurança financeira começa com pertencimento e respaldo

Nenhum advogado constrói estabilidade sozinho.
A previsibilidade financeira nasce quando o profissional deixa de atuar isoladamente e passa a integrar um ecossistema que gera valor, confiança e oportunidades.

Pertencer faz diferença porque:
✔ fortalece a imagem profissional;
✔ amplia o networking qualificado;
✔ gera indicações e parcerias;
✔ aumenta a percepção de autoridade;
✔ reduz a vulnerabilidade na negociação.

O papel da Associação Brasileira de Advogados

É nesse ponto que a Associação Brasileira de Advogados exerce um papel estratégico no enfrentamento da insegurança financeira do advogado brasileiro.

A ABA não promete milagres. Ela oferece estrutura.

Por meio da ABA, o advogado:

  • deixa de negociar sozinho;
  • passa a ter reconhecimento institucional;
  • integra uma rede nacional e internacional;
  • participa de projetos, eventos e comissões;
  • fortalece sua autoridade no mercado.

Autoridade coletiva sustenta honorários individuais.
Estrutura reduz a vulnerabilidade financeira.

Quem pertence, negocia melhor

Clientes negociam menos quando percebem:

  • credibilidade;
  • respaldo institucional;
  • inserção em um ambiente jurídico respeitado.

O problema não é cobrar.
O problema é não ter sustentação para cobrar.

E essa sustentação não nasce do isolamento, mas do pertencimento.

O novo advogado não aceita migalhas. Ele constrói valor.

A advocacia mudou.
E continuará mudando.

O advogado que prospera hoje é aquele que entende que:

Honorários justos não são imposição.
São consequência de posicionamento.

Não se trata de ferir a ética.
Trata-se de exercer a profissão com dignidade.

Conclusão: advocacia não é sacrifício permanente

Viver de advocacia exige mais do que amor ao Direito.
Exige visão, estratégia e apoio institucional.

A insegurança financeira não será superada com mais renúncia pessoal, mas com organização coletiva, visibilidade qualificada e estrutura profissional.

  • O advogado não precisa se submeter.
  • Precisa se posicionar.
  • E precisa caminhar com quem fortalece a profissão.

Porque advocacia não é favor.
É profissão.
E profissão precisa gerar estabilidade, respeito e futuro.

Por Esdras Dantas de Souza, advoagdo, professor e presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)

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