Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da entidade foi lembrado por sua atuação ética, compromisso com as causas sociais e defesa dos direitos humanos; presença de familiares tornou a homenagem um dos momentos mais emocionantes da Convenção
Há pessoas que deixam uma instituição, mas não deixam de fazer parte de sua história.
Foi com esse sentimento que a Associação Brasileira de Advogados (ABA) prestou homenagem póstuma ao advogado Diego Piassabussu, que presidiu a Comissão Nacional de Direitos Humanos da entidade e faleceu recentemente.
A homenagem aconteceu durante a 24ª Convenção Anual da ABA, realizada entre os dias 19 e 21 de agosto, no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e transformou-se em um dos momentos de maior emoção do encontro.
Diante de advogados e advogadas vindos de diferentes regiões do Brasil e do exterior, a ABA interrompeu por alguns instantes sua programação para fazer aquilo que instituições que possuem memória precisam saber fazer: lembrar daqueles que ajudaram a construí-las.
UMA VIDA PROFISSIONAL LIGADA À DEFESA DE DIREITOS

Diego Piassabussu foi advogado, dirigente da ABA e um profissional comprometido com valores que ultrapassavam o exercício cotidiano da profissão.
À frente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Associação Brasileira de Advogados, destacou-se pela defesa dos direitos humanos, pela atenção às minorias e pela dedicação às causas sociais.
Competência profissional, comportamento ético, respeito às pessoas e sensibilidade diante das desigualdades marcaram sua atuação e fizeram dele um advogado respeitado entre os colegas.
Diego compreendia a advocacia não apenas como profissão.
Compreendia-a também como instrumento de proteção da dignidade humana.
Essa concepção encontrou espaço natural na Comissão Nacional de Direitos Humanos da ABA, colegiado no qual pôde colocar sua experiência profissional e suas convicções a serviço de causas que considerava fundamentais.
Sua ausência, portanto, não é sentida apenas por familiares e amigos.
É também uma ausência institucional.
FABIANE ANDRADE CONDUZIU A HOMENAGEM

Coube à advogada Fabiane Andrade, Secretária-Geral da ABA, relatar a homenagem.
Diante do auditório, Fabiane falou sobre Diego, sua trajetória e o significado de sua passagem pela Associação.
Não foi simplesmente a leitura de um registro protocolar.
Foi uma despedida.
Sua manifestação emocionou os participantes da Convenção e adquiriu significado ainda maior pela presença do pai e da irmã de Diego Piassabussu, que acompanharam a homenagem.
Naquele momento, a solenidade cedeu espaço à memória.
A imagem projetada no palco recordava o dirigente. As palavras pronunciadas recordavam o profissional. E a presença de seus familiares recordava a todos que, por trás dos cargos, títulos e realizações, existe sempre uma história humana.
O auditório acompanhou a homenagem em clima de profundo respeito.
“DIEGO NÃO SERÁ APENAS UM NOME NA HISTÓRIA DA ABA”

Para o presidente da Associação Brasileira de Advogados, Esdras Dantas de Souza, preservar a memória dos que contribuíram para a instituição é também uma forma de transmitir valores às novas gerações de dirigentes e associados.
“Diego não será apenas um nome na história da ABA. Será lembrado pelo que representou e, sobretudo, pelos valores que defendeu. Perdemos um advogado competente e ético, um dirigente comprometido e um defensor da dignidade humana. Mas aquilo que uma pessoa constrói por meio do trabalho, do caráter e do serviço ao próximo permanece. A melhor homenagem que podemos prestar a Diego é não permitir que os ideais pelos quais ele trabalhou sejam esquecidos”, afirmou Esdras Dantas.
O presidente também manifestou, em nome da Associação, solidariedade aos familiares.
“Ao seu pai, à sua irmã e a todos os seus familiares e amigos, queremos dizer que Diego também deixou uma família institucional. A ABA guarda com respeito e gratidão a passagem dele entre nós.”
QUANDO O CARGO TERMINA, O EXEMPLO PERMANECE
A homenagem a Diego Piassabussu também trouxe uma reflexão particularmente importante para uma instituição formada por lideranças.
Cargos são temporários.
Mandatos terminam.
Títulos deixam de acompanhar os nomes.
Mas o modo como uma pessoa tratou os outros, as causas que escolheu defender e a contribuição que deixou permanecem na memória daqueles que caminharam ao seu lado.
É justamente aí que reside uma das dimensões mais importantes da vida associativa.
Participar de uma instituição não significa apenas ocupar posições. Significa colocar conhecimento, experiência e capacidade profissional a serviço de algo que possa beneficiar outras pessoas.
Diego fez isso ao assumir a responsabilidade de conduzir a Comissão Nacional de Direitos Humanos da ABA.
E sua história passa, agora, a integrar a memória institucional da Associação.
DIREITOS HUMANOS COMO COMPROMISSO PERMANENTE
Ao homenagear aquele que presidiu sua Comissão Nacional de Direitos Humanos, a ABA também reafirmou a importância da defesa da dignidade humana como compromisso permanente da advocacia.
Direitos humanos não são conceitos abstratos reservados aos livros jurídicos.
Manifestam-se na defesa de quem sofre discriminação, de quem tem seus direitos violados, das minorias, dos vulneráveis e daqueles que, muitas vezes, não possuem voz suficiente para serem ouvidos.
Nesse campo, a advocacia desempenha papel essencial.
Defender direitos significa, muitas vezes, colocar-se entre o cidadão e o abuso, entre a vulnerabilidade e a proteção jurídica, entre o silêncio e a possibilidade de ser ouvido.
Foi nesse espaço que Diego Piassabussu escolheu também deixar sua contribuição.
UMA CONVENÇÃO QUE TAMBÉM SOUBE PARAR PARA LEMBRAR
Durante três dias, a 24ª Convenção Anual da ABA falou sobre conhecimento, inovação, desenvolvimento profissional, relacionamentos, oportunidades e futuro.
Mas houve um momento em que foi necessário falar sobre memória.
E talvez isso também diga muito sobre aquilo que uma associação pretende ser.
Uma instituição não é construída somente por quem está chegando.
É construída também por aqueles que passaram por ela e deixaram alguma coisa de si.
Naquele auditório, diante de seus familiares, amigos, dirigentes e colegas de profissão, a ABA disse a Diego Piassabussu algo que já não poderia dizer pessoalmente, mas que ainda precisava ser dito:
obrigado.
Obrigado pelo trabalho.
Obrigado pelo compromisso.
Obrigado pela defesa dos direitos humanos.
Obrigado por ter colocado parte de sua vida profissional a serviço de uma causa maior.
Diego Piassabussu partiu.
Seu exemplo, entretanto, permanece.
E enquanto houver memória, gratidão e continuidade dos valores que defendeu, haverá também uma parte de sua história caminhando com a Associação Brasileira de Advogados.