Documento encaminhado à Ouvidoria do Supremo reúne sugestões sobre acesso à Justiça, combate à desinformação de gênero e aprimoramento dos canais de participação social.
A Comissão Nacional da Mulher da Associação Brasileira de Advogados (ABA) encaminhou à Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal (STF) um conjunto de propostas voltadas ao fortalecimento da proteção dos direitos das mulheres no Brasil. As contribuições foram apresentadas no âmbito da iniciativa STF Escuta, espaço criado para receber sugestões da sociedade civil sobre temas de interesse público e aperfeiçoamento institucional.
O documento aborda três áreas consideradas estratégicas: ampliação do acesso à Justiça, enfrentamento à desinformação relacionada às questões de gênero e fortalecimento da atuação da Ouvidoria do STF. As propostas buscam contribuir para o aprimoramento de mecanismos institucionais capazes de garantir maior efetividade na proteção de direitos e na prevenção de situações de vulnerabilidade.
Acesso à Justiça e fortalecimento das garantias legais

Foto: Advogada Julia Kerr
No eixo dedicado ao acesso à Justiça, a Comissão Nacional da Mulher da ABA defendeu a necessidade de ampliar os mecanismos de atendimento às mulheres em situação de vulnerabilidade, reduzindo obstáculos que possam dificultar a busca por proteção jurídica.
No documento encaminhado ao STF, a entidade destacou a importância de evitar que barreiras burocráticas ou procedimentos excessivamente formais acabem comprometendo a efetividade dos direitos assegurados pela legislação brasileira.
Entre as sugestões apresentadas está o fortalecimento da aplicação das normas protetivas voltadas às mulheres, acompanhado de programas de capacitação contínua para magistrados e servidores do sistema de Justiça. A proposta busca incentivar abordagens mais sensíveis às especificidades dos casos envolvendo violência, discriminação e desigualdade de gênero.
A ABA também sugeriu a criação de um banco de dados nacional integrado que permita localizar com maior rapidez precedentes judiciais e temas com repercussão geral relacionados às questões de gênero. Segundo a proposta, a iniciativa poderia contribuir para maior uniformidade das decisões judiciais e para o fortalecimento da segurança jurídica.
Outro ponto destacado foi a recomendação para que o Supremo utilize a Análise Econômica do Direito como ferramenta complementar na avaliação dos impactos de suas decisões, especialmente quando relacionadas à proteção dos direitos das mulheres e à promoção de comportamentos alinhados às normas legais vigentes.
Educação digital e enfrentamento à desinformação

Foto: Advogada Carolina Mynssen
No campo do combate à desinformação de gênero, a ABA propôs medidas voltadas à educação e à capacitação digital de cidadãos e profissionais que atuam no sistema de Justiça.
A entidade entende que a disseminação de informações incorretas ou distorcidas pode influenciar percepções sociais, reforçar estereótipos e gerar impactos negativos na aplicação das normas de proteção de direitos.
Entre as medidas sugeridas estão programas educativos voltados ao desenvolvimento da capacidade crítica para identificar conteúdos enganosos e compreender melhor os direitos relacionados à igualdade de gênero.
O documento também defende a realização de ações de capacitação destinadas a operadores do Direito, servidores públicos e demais agentes institucionais, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os efeitos da desinformação e seus reflexos na tomada de decisões.
Além da dimensão educativa, a ABA propôs o fortalecimento de estratégias de monitoramento de conteúdos considerados nocivos, por meio de parcerias entre instituições públicas e plataformas digitais. A proposta prevê ainda mecanismos para remoção célere de conteúdos ilícitos e medidas de responsabilização nos casos previstos pela legislação.
Ouvidoria do STF e participação social

Foto: Advogada Daiene Preissler
As sugestões encaminhadas pela Comissão Nacional da Mulher também abordam o papel da Ouvidoria do STF como canal de diálogo entre a sociedade e a Suprema Corte.
A ABA reconheceu a relevância institucional da Ouvidoria e defendeu a ampliação de sua capacidade de atendimento, bem como o fortalecimento das ações de divulgação dos serviços já disponíveis ao público.
A proposta busca ampliar o conhecimento da população sobre os instrumentos existentes para encaminhamento de reclamações, denúncias, sugestões e manifestações relacionadas à defesa de direitos.
Outro ponto destacado foi a criação de mecanismos permanentes de monitoramento das demandas recebidas. Segundo a entidade, a sistematização dessas informações pode contribuir para a formulação de políticas públicas, aperfeiçoamento normativo e identificação de desafios recorrentes enfrentados por mulheres em diferentes contextos.
A ABA também sugeriu o acompanhamento mais próximo dos casos encaminhados à Ouvidoria, com atenção especial à prevenção de eventuais retaliações contra pessoas que busquem auxílio institucional para relatar violações de direitos.
A elaboração e o encaminhamento das propostas ao Supremo Tribunal Federal contaram com a participação ativa das lideranças da Comissão Nacional da Mulher da Associação Brasileira de Advogados. A advogada Júlia Kerr, atualmente vice-presidente da Comissão, esteve à frente da apresentação das contribuições que passaram a integrar as discussões do programa STF Escuta.
A iniciativa também reflete o trabalho desenvolvido pela presidente nacional da Comissão, Daiene Preissler, que tem coordenado ações voltadas à valorização da participação feminina nos espaços institucionais e ao fortalecimento da proteção dos direitos das mulheres.
A construção das propostas contou ainda com a colaboração de integrantes da Comissão, entre elas as advogadas Carolina Mynssen e Natasha Ermel, além de outras profissionais que atuam na elaboração de estudos, debates e iniciativas relacionadas ao acesso à Justiça, à cidadania e à promoção dos direitos fundamentais.
O envolvimento dessas lideranças evidencia a contribuição técnica da sociedade civil organizada para o aperfeiçoamento das instituições democráticas e para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção dos direitos das mulheres.

Foto: Advogada Nattasha Ermel
CONCLUSÃO
As propostas apresentadas pela Comissão Nacional da Mulher da Associação Brasileira de Advogados integram o debate sobre o aperfeiçoamento das instituições democráticas e dos mecanismos de proteção de direitos fundamentais. Ao abordar temas como acesso à Justiça, combate à desinformação e fortalecimento da participação social, o documento busca contribuir para reflexões que envolvem a atuação do sistema de Justiça e a construção de políticas públicas voltadas à promoção da cidadania e da segurança jurídica.
A participação da Comissão Nacional da Mulher da ABA no programa STF Escuta demonstra como entidades da sociedade civil podem colaborar tecnicamente com o desenvolvimento de soluções institucionais para desafios contemporâneos. As sugestões agora passam a integrar o conjunto de manifestações recebidas pela iniciativa do Supremo Tribunal Federal, ampliando o diálogo entre instituições e sociedade na busca pelo fortalecimento do Estado Democrático de Direito.
Da Redação