A Comissão Nacional da Mulher da Associação Brasileira de Advogados (ABA) expressou, nesta terça-feiora (10) sua veemente repulsa e consternação diante das declarações recentes proferidas pelo Desembargador Georgenor Franco, do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, referentes a um pedido de adiamento de sustentação oral de uma advogada que se encontrava em trabalho de parto.
Segundo entendimento da Comissão, a afirmação do Desembargador de que “gravidez não é doença” demonstra não apenas falta de sensibilidade, mas também um total desrespeito pelas mulheres advogadas que, diariamente, enfrentam desafios excepcionais para equilibrar suas carreiras e responsabilidades familiares. Tais declarações revelam uma perspectiva desatualizada e desconsideram as complexidades que envolvem a gravidez e o parto.
Nesse contexto, a Dra. Julia Kerr, presidente da Comissão Nacional da Mulher da ABA, enfatiza: “É lamentável que um magistrado, cuja função é a de aplicar a justiça com imparcialidade e sensibilidade, tenha demonstrado tão pouco entendimento sobre as questões enfrentadas pelas mulheres advogadas. A gravidez não é uma fraqueza, mas sim um período de vida que merece respeito e apoio”.
Além disso, a ativista da defesa dos direitos das mulheres, advogada Carolinha Mynssen, destaca a importância de reconhecer a necessidade de flexibilidade nas instituições, afirmando: “As instituições judiciais devem refletir a realidade das mulheres em todas as suas diversidades e necessidades. A maternidade não deve ser vista como um obstáculo para o exercício profissional, mas sim como um desafio que merece compreensão e suporte.”
A Comissão Nacional da Mulher da ABA espera que o Desembargador Franco reavalie suas palavras e reveja sua postura insensível. Além disso, insta as autoridades judiciárias a adotarem medidas que promovam um ambiente de trabalho mais inclusivo e respeitoso com as necessidades das mulheres advogadas, reconhecendo que a maternidade é um direito fundamental.
A Comissão Nacional da Mulher da ABA permanece comprometida com a promoção da igualdade de gênero e com a defesa dos direitos e dignidade das mulheres, reforçando seu apoio a um ambiente de trabalho verdadeiramente inclusivo e sensível às particularidades de cada profissional.
Da Redação