Maioria entre os profissionais inscritos, as advogadas ampliam sua presença nos espaços de decisão e reafirmam, todos os dias, o papel constitucional da advocacia na administração da Justiça
A fotografia de mulheres que exercem posições de liderança na Associação Brasileira de Advogados (ABA) registra mais do que um encontro institucional. Ela simboliza uma transformação que vem ocorrendo na advocacia brasileira: as mulheres não apenas conquistaram espaço na profissão, como ampliam sua presença na liderança, na produção jurídica, na docência, nos tribunais e nas entidades representativas.
Os números ajudam a dimensionar essa realidade. O quadro atualizado do Conselho Federal da OAB registra mais de 789 mil advogadas regulares e recadastradas, diante de aproximadamente 719 mil advogados.
Essa presença quantitativa, entretanto, traz outro desafio: transformar participação em oportunidades, reconhecimento profissional e presença efetiva nos espaços de decisão. A própria OAB tem adotado iniciativas voltadas à ampliação da liderança feminina e ao enfrentamento das desigualdades ainda existentes na profissão.
A INDISPENSABILIDADE DA ADVOGADA TAMBÉM ESTÁ NA CONSTITUIÇÃO
A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 133, que “o advogado é indispensável à administração da justiça”. Evidentemente, essa garantia constitucional alcança igualmente as centenas de milhares de mulheres que exercem a advocacia brasileira.
Quando uma advogada defende uma pessoa perante o Poder Judiciário, orienta uma família, representa uma empresa, protege direitos fundamentais, atua preventivamente ou contribui para a solução de um conflito, ela materializa diariamente essa função constitucional.
Por isso, reconhecer o protagonismo feminino na advocacia não deve significar apenas celebrar números. Significa assegurar condições para que competência, conhecimento e experiência possam encontrar espaço, voz e oportunidades.
É nesse sentido que a ABA procura desenvolver sua atuação.
A entidade tem buscado proporcionar às suas associadas ambientes para liderar comissões, desenvolver projetos, ministrar palestras, produzir conhecimento, participar de congressos, estabelecer conexões e construir parcerias profissionais.
A proposta é simples, mas ambiciosa: nenhuma profissional qualificada deve permanecer invisível por falta de oportunidade para mostrar aquilo que sabe e aquilo que pode realizar.
MULHERES QUE CRESCEM E AJUDAM OUTRAS PESSOAS A CRESCER
As lideranças femininas da ABA retratadas na imagem representam também uma cultura de relacionamento profissional que a entidade pretende fortalecer.
Reuniões, comissões, congressos, cursos e convenções permitem que advogadas e advogados de diferentes especialidades e regiões estejam permanentemente em contato, trocando informações, experiências e oportunidades.
Esse relacionamento pode resultar em aprendizado, indicações, projetos conjuntos e parcerias. Sobretudo, ajuda a construir uma advocacia menos isolada e mais colaborativa.
A ABA defende uma advocacia tecnicamente qualificada, independente, respeitada e útil à sociedade. E reconhece que as mulheres são parte decisiva dessa construção.
O fortalecimento da advocacia interessa ao próprio Estado Democrático de Direito. Afinal, se a Constituição tornou o advogado indispensável à administração da Justiça, valorizar quem exerce essa profissão significa também fortalecer a defesa de direitos, o acesso à Justiça e a cidadania.
A imagem dessas lideranças, portanto, carrega uma mensagem que ultrapassa a própria ABA.
Mulheres não estão apenas ocupando novos espaços na advocacia. Estão ajudando a construir os espaços que a advocacia brasileira precisará ocupar no futuro.
E, na ABA, essa caminhada encontra um princípio que orienta sua atuação: nosso maior sucesso é fazer muita gente crescer.