Da plateia ao protagonismo: ABA aposta em visibilidade e crescimento profissional

Encontro de advogadas durante a 24ª Convenção Anual traduz uma das propostas da Associação Brasileira de Advogados: criar oportunidades para que seus membros ampliem conhecimentos, relacionamentos, visibilidade e reconhecimento profissional

Uma fotografia pode registrar um encontro. Algumas, porém, conseguem representar uma ideia.

O registro de um grupo de advogadas durante a 24ª Convenção Anual da Associação Brasileira de Advogados (ABA), realizada entre os dias 19 e 21 de agosto, no Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro, ajuda a traduzir uma concepção que a entidade pretende fortalecer: o associado não deve ser apenas espectador das realizações de outros profissionais. Ele também precisa encontrar oportunidades para construir a própria trajetória.

Na imagem, advogadas de diferentes experiências e áreas de atuação aparecem reunidas durante o encontro nacional da instituição.

Por trás do registro, entretanto, está uma questão maior: qual deve ser o papel de uma associação profissional na vida de seus integrantes?

Para a ABA, a resposta passa por quatro palavras: capacitação, relacionamento, visibilidade e oportunidade.

MAIS DO QUE PARTICIPAR

Congressos, seminários, cursos e palestras tradicionalmente fazem parte da vida das entidades jurídicas. São instrumentos importantes de atualização e formação.

A ABA procura acrescentar outra dimensão a essa experiência.

O advogado que chega a um evento não deve ser visto exclusivamente como alguém que ocupará uma cadeira no auditório.

Pode estar ali também o futuro palestrante, dirigente, articulista, professor, coordenador de projeto, autor de uma obra ou parceiro profissional de outro associado.

É essa mudança de perspectiva que a instituição procura estimular.

Da plateia ao protagonismo.

Não como culto à exposição pessoal, mas como reconhecimento de que profissionais preparados precisam encontrar ambientes nos quais possam demonstrar conhecimento, desenvolver liderança e construir relações de confiança.

VISIBILIDADE NÃO É VAIDADE

Em uma época marcada pela exposição permanente nas redes sociais, falar em visibilidade profissional exige cuidado.

Ser visto não significa necessariamente ser reconhecido.

Da mesma maneira, possuir muitos seguidores não significa possuir reputação.

A visibilidade que interessa à vida profissional precisa estar sustentada por competência, comportamento, conhecimento, participação e credibilidade.

Essa distinção integra a concepção defendida pela ABA.

A proposta não é fabricar celebridades jurídicas. É contribuir para que profissionais competentes não permaneçam desconhecidos simplesmente porque nunca tiveram oportunidade de apresentar aquilo que sabem.

Um artigo pode revelar conhecimento.

Uma palestra pode demonstrar domínio técnico.

A presidência de uma comissão pode desenvolver liderança.

Um congresso pode aproximar profissionais que jamais se conheceriam.

Uma conversa durante um intervalo pode resultar em indicação, parceria ou projeto conjunto.

É assim que a participação institucional pode produzir consequências concretas para a carreira.

O PALCO COMO METÁFORA DE OPORTUNIDADE

Quando a ABA afirma que deseja levar seus associados “da plateia ao palco”, o palco não precisa ser compreendido literalmente.

Palco é oportunidade.

Pode ser uma tribuna, mas também uma comissão temática, uma publicação, uma entrevista, uma reunião institucional ou a oportunidade de coordenar determinado projeto.

Pode significar ser apresentado a outro profissional com interesses complementares.

Pode representar a primeira oportunidade de falar publicamente sobre sua especialidade.

Ou simplesmente o momento em que alguém deixa de ser conhecido apenas pelo nome e passa a ser reconhecido por aquilo que sabe fazer.

Essa concepção ajuda a explicar por que a Associação vem estimulando a participação de seus próprios membros nas atividades institucionais.

MULHERES OCUPANDO ESPAÇOS

A fotografia registrada durante a Convenção possui ainda outro significado.

Ela mostra mulheres ocupando espaços de participação e relacionamento dentro da advocacia.

Mais do que reuni-las para uma fotografia, o desafio institucional é assegurar que advogadas possam participar efetivamente da construção dos projetos, das comissões, dos debates e das iniciativas profissionais da entidade.

Protagonismo não se declara. Protagonismo se exerce.

E ele começa quando o profissional percebe que pode contribuir, ensinar, aprender, liderar e participar das decisões e projetos existentes ao seu redor.

“QUEREMOS QUE O ASSOCIADO SEJA LEMBRADO PELO QUE SABE FAZER”

Para o presidente da Associação Brasileira de Advogados, Esdras Dantas de Souza, uma entidade profissional precisa produzir oportunidades que possam ser percebidas na trajetória de seus integrantes.

“Não queremos que o associado venha à ABA apenas para assistir aos outros. Queremos que ele aprenda, participe, construa relacionamentos e encontre oportunidades para mostrar sua competência. O nosso desejo é que bons profissionais sejam conhecidos e lembrados pelo que efetivamente sabem fazer.”

Segundo o presidente, essa concepção está diretamente relacionada à missão institucional de promover o crescimento e o reconhecimento profissional dos associados.

“Visibilidade sem competência produz apenas exposição. O que buscamos é outra coisa: competência que encontra oportunidade para ser demonstrada e, por isso, transforma-se gradualmente em reconhecimento e reputação.”

A diferença é fundamental.

UM CICLO DE CRESCIMENTO PROFISSIONAL

A experiência associativa pode produzir um verdadeiro ciclo de desenvolvimento:

Participação → Relacionamento → Visibilidade → Posicionamento → Reconhecimento → Oportunidade → Crescimento.

O primeiro passo é participar.

Quem participa conhece pessoas.

Quem estabelece bons relacionamentos amplia sua rede de confiança.

Quem contribui e compartilha conhecimento passa a ser percebido.

Quem é percebido por aquilo que efetivamente sabe fazer começa a construir posicionamento.

E quem constrói reputação aumenta naturalmente suas possibilidades profissionais.

Não existe garantia de resultado, nem deveria existir.

O que uma associação pode fazer é criar ambientes favoráveis para que encontros, conhecimento e oportunidades aconteçam.

QUANDO UMA ASSOCIAÇÃO CUMPRE SUA MISSÃO

O resultado mais importante de um encontro profissional talvez não esteja na quantidade de pessoas presentes, no tamanho do auditório ou no número de fotografias publicadas.

Está no que acontece depois.

Quando um advogado consegue dizer:

“Conheci meu parceiro profissional na ABA.”

“Minha primeira palestra aconteceu na ABA.”

“Comecei a escrever porque recebi uma oportunidade na ABA.”

“Conheci colegas de outros estados durante um evento da ABA.”

“Fui lembrado para determinado trabalho porque alguém conheceu minha atuação dentro da ABA.”

Nesse momento, a missão institucional deixa o papel e ingressa na vida real.

NINGUÉM PRECISA CRESCER SOZINHO

A fotografia das advogadas reunidas durante a 24ª Convenção, portanto, representa mais do que a memória de três dias de atividades no Rio de Janeiro.

Representa uma ideia de associativismo baseada em pessoas.

Uma associação profissional não deve existir somente para realizar eventos.

Deve aproximar pessoas, revelar talentos, compartilhar conhecimento, formar lideranças e criar ambientes onde novas possibilidades possam surgir.

Esse é o desafio que permanece depois que as luzes do auditório se apagam.

Fazer com que cada vez mais associados deixem de perguntar apenas:

“O que a instituição pode me oferecer?”

e passem também a descobrir:

“Que contribuição eu posso oferecer e até onde posso chegar quando encontro pessoas dispostas a crescer comigo?”

Porque uma das ideias que orientam a atuação da ABA pode ser resumida em poucas palavras:

ninguém precisa crescer sozinho.

E talvez exista uma maneira ainda mais clara de explicar esse propósito:

a ABA não quer apenas colocar seus associados na fotografia. Quer contribuir para que construam trajetórias que mereçam ser fotografadas.

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