Criminalista, professor, escritor, ex-presidente da OAB Ceará e conselheiro federal por diferentes mandatos, Paulo Quezado construiu uma trajetória marcada pela defesa, pela liderança institucional e pelo compromisso com a advocacia brasileira
MEMÓRIA DA ADVOCACIA BRASILEIRA
Uma homenagem da Associação Brasileira de Advogados – ABA
Existem profissionais cuja trajetória ultrapassa os limites de seus escritórios e passa a integrar a própria história das instituições às quais dedicaram parte significativa de suas vidas.
Na advocacia cearense, Paulo Napoleão Gonçalves Quezado pertence a essa geração.
Advogado criminalista há mais de quatro décadas, professor, escritor, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Ceará e conselheiro federal da OAB em diferentes períodos, Paulo Quezado construiu uma carreira que reúne exercício profissional, magistério, produção jurídica, vida pública e participação institucional.
Por essa trajetória, a Associação Brasileira de Advogados – ABA, por meio do projeto Memória da Advocacia Brasileira, presta homenagem a um profissional que ajudou a escrever importantes capítulos da advocacia do Ceará e do Brasil.
Do interior do Ceará para a advocacia
Paulo Quezado nasceu em Aurora, no Ceará, em 5 de setembro de 1955.
Sua formação intelectual percorreu duas áreas que ajudam a compreender a amplitude de sua trajetória: graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e em História pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Registros biográficos da Assembleia Legislativa cearense também documentam sua formação e sua atividade como professor.
A ligação com o ensino começou cedo.
Antes mesmo de consolidar seu nome na advocacia, Paulo Quezado já lecionava História. Mais tarde, a atividade acadêmica caminharia ao lado do Direito e da vida profissional.
A advocacia, entretanto, se transformaria na grande marca de sua trajetória.
Militante desde 1979, Paulo Quezado encontrou especialmente no Direito Penal e no Processo Penal o campo em que se tornaria amplamente conhecido. Mais de quatro décadas depois, continua sendo apresentado em eventos jurídicos especializados como referência da advocacia criminal cearense.
A advocacia criminal e a defesa das liberdades
Poucas áreas revelam de maneira tão intensa a importância constitucional da advocacia quanto a defesa criminal.
É justamente quando uma pessoa se encontra diante do poder punitivo do Estado que princípios como ampla defesa, contraditório, devido processo legal e presunção de inocência demonstram sua verdadeira importância.
O advogado criminalista exerce, nesse ambiente, uma missão que transcende a defesa de um processo específico.
Ele protege garantias.
Fiscaliza a legalidade.
Assegura que o poder estatal encontre os limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis.
E contribui para que o julgamento seja resultado do Direito e das provas, e não da pressão social ou de condenações antecipadas.
Paulo Quezado construiu sua reputação profissional nesse terreno exigente.
Ao longo das décadas, participou de causas de repercussão e tornou-se presença frequente em debates sobre Direito Penal e Processo Penal. Em 2024, ao participar de iniciativa dedicada à advocacia criminal, esteve entre profissionais apresentados pela própria OAB Ceará como grandes referências da área.
Não por acaso, quando a Escola Superior de Advocacia do Ceará inaugurou, naquele mesmo ano, o projeto “Minha Experiência a Serviço da Sua”, Paulo Quezado foi escolhido para abrir a iniciativa.
Na ocasião, o secretário-geral da OAB Ceará, David Peixoto, definiu-o como “um grande baluarte da advocacia criminal”.
É um reconhecimento que ajuda a dimensionar uma carreira construída ao longo de décadas.
Uma vida também dedicada à OAB
A história profissional de Paulo Quezado está profundamente ligada à Ordem dos Advogados do Brasil.
Foi conselheiro estadual da OAB Ceará entre 1985 e 1988 e chegou ao Conselho Federal ainda no final daquela década. Posteriormente, retornaria ao órgão máximo da instituição por diferentes mandatos. Registros da própria OAB Ceará apontam sua participação como conselheiro federal nos períodos de 1988/1990, 2004/2006, 2007/2009 e 2010/2012.
Entre essas experiências, assumiu uma das maiores responsabilidades da advocacia de seu Estado.
Paulo Quezado foi eleito presidente da OAB Ceará, exercendo dois mandatos consecutivos, correspondentes às gestões iniciadas em 1998 e 2001.
Presidir uma Seccional da Ordem significa representar milhares de profissionais, defender prerrogativas, dialogar com o Poder Judiciário e com as demais instituições e, simultaneamente, compreender que a OAB possui responsabilidades que ultrapassam os interesses corporativos da classe.
Essa experiência consolidou Paulo Quezado também como liderança institucional.
Terminados os mandatos na presidência, sua participação na vida da Ordem prosseguiu.
Ceará e Distrito Federal lado a lado no Conselho Federal
Existe um capítulo dessa história que possui significado especial para a presente homenagem.
Na composição do Conselho Federal da OAB, Paulo Napoleão Gonçalves Quezado aparece oficialmente entre os representantes do Ceará, enquanto Esdras Dantas de Souza integra a representação do Distrito Federal.
Os documentos registram os nomes.
A memória guarda a convivência.
Foi naquele ambiente, reunindo representantes da advocacia de todo o Brasil, que se fortaleceu uma amizade que atravessaria os anos.
O presidente nacional da Associação Brasileira de Advogados – ABA, Esdras Dantas, recorda:
“Tive o privilégio de conviver com Paulo Quezado no Conselho Federal da OAB, no período de 1998 a 2010. Ele representava a advocacia do Ceará e eu representava a advocacia do Distrito Federal. Foram anos de convivência, debates e participação na vida institucional da nossa profissão. Ali conheci de perto não apenas o dirigente de Ordem, mas o advogado e o ser humano. Paulo tornou-se meu amigo, amizade que guardo com muito carinho e respeito.”
Para Esdras Dantas, a admiração pessoal está diretamente ligada ao reconhecimento profissional:
“Paulo é um grande advogado criminalista. Sempre admirei sua competência, sua personalidade e a maneira como exerce a profissão. É um daqueles advogados que dignificam a advocacia do Ceará e do Brasil.”
A fotografia que reúne os dois advogados, preservada depois de tantos anos, ganha assim dimensão histórica.

Não registra apenas dois amigos.
Registra dois representantes de diferentes unidades da Federação que compartilharam uma época da vida institucional da advocacia brasileira.
Professor, escritor e homem público
A trajetória de Paulo Quezado não se limitou à advocacia e à OAB.
O magistério ocupou espaço importante em sua vida. Além da formação em História e Direito, registros biográficos apontam sua atuação docente no ensino superior, incluindo passagens pela Universidade Federal do Ceará, Universidade Estadual do Ceará e Universidade de Fortaleza.
Também levou sua experiência profissional para os livros.
Entre os temas de suas obras jurídicas aparecem questões relacionadas ao mandado de segurança, sigilo bancário, usucapião, crimes contra o sistema financeiro e delação premiada. Em 2009, por exemplo, foi registrada a publicação de obra dedicada à delação premiada, escrita em parceria com Jamile Virgínio.
Sua trajetória alcançou ainda a vida pública.
Paulo Quezado exerceu mandato de deputado estadual constituinte do Ceará na legislatura de 1987 a 1990, período particularmente significativo da história brasileira, marcado pela redemocratização e pela reorganização constitucional do país. O registro oficial da Assembleia Legislativa do Ceará documenta sua participação naquela legislatura.
São experiências diferentes, mas que revelam um traço comum: participação.
Na universidade, na advocacia, na OAB ou na vida pública, Paulo Quezado esteve presente.
Quando a experiência se transforma em legado
Talvez exista uma fase particularmente bonita na trajetória dos grandes profissionais.
É aquela em que a experiência acumulada deixa de pertencer somente a quem a construiu e passa a ser transmitida às novas gerações.
Foi justamente essa ideia que levou a Escola Superior de Advocacia do Ceará a escolher Paulo Quezado para inaugurar, em abril de 2024, o projeto “Minha Experiência a Serviço da Sua”.
A proposta da iniciativa era reunir advogados experientes para compartilhar conhecimentos e vivências capazes de motivar quem está construindo sua trajetória profissional.
Paulo Quezado foi o primeiro convidado.
Há simbolismo nisso.
Depois de décadas advogando, ensinando, escrevendo, presidindo a OAB Ceará e representando seu Estado no Conselho Federal, sua experiência passou também a servir como referência para quem chega.
É assim que uma carreira começa a se transformar em legado.
A memória também constrói o futuro
A Associação Brasileira de Advogados – ABA tem como missão promover o crescimento e o reconhecimento profissional dos seus associados.
Mas reconhecer profissionais não significa olhar apenas para quem está começando ou para quem atualmente ocupa posições de destaque.
Uma instituição que pretende contribuir para o futuro da advocacia precisa também preservar sua memória.
Foi com essa compreensão que nasceu o projeto Memória da Advocacia Brasileira.
Seu propósito é registrar histórias de advogados e advogadas que, por suas trajetórias, ajudaram a dignificar a profissão, fortalecer suas instituições e demonstrar às novas gerações o significado social da advocacia.
Paulo Quezado representa exatamente esse espírito.
Sua história demonstra que uma carreira pode reunir muitas dimensões: o advogado que enfrenta processos difíceis; o professor que transmite conhecimento; o escritor que registra ideias; o dirigente que serve à classe; o representante que participa das instituições; e o profissional experiente que, décadas depois, continua disposto a conversar com aqueles que estão começando.
A homenagem da ABA a Paulo Quezado
Por tudo isso, a Associação Brasileira de Advogados – ABA, por meio do projeto Memória da Advocacia Brasileira, presta sua homenagem a Paulo Napoleão Gonçalves Quezado.
Ao advogado.
Ao criminalista.
Ao professor.
Ao escritor.
Ao ex-presidente da OAB Ceará.
Ao ex-conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
E ao homem que dedicou grande parte de sua vida profissional à advocacia e às instituições que a representam.
Sua trajetória nasceu no Ceará e está profundamente ligada à história de seu Estado.
Mas não pertence somente ao Ceará.
Paulo Quezado dignifica a advocacia brasileira.
E registrar essa história significa também cumprir uma responsabilidade com aqueles que virão depois de nós.
Porque uma profissão que conhece seus grandes personagens compreende melhor sua própria identidade.
Uma instituição que preserva sua memória sabe de onde veio.
E uma nova geração que conhece aqueles que abriram caminhos pode escolher, com mais consciência, os caminhos que pretende seguir.
MEMÓRIA DA ADVOCACIA BRASILEIRA
Uma homenagem da Associação Brasileira de Advogados – ABA
Preservar histórias. Reconhecer trajetórias. Inspirar gerações.
Equipe Ordem Democrática