Presidente da Comissão Nacional de Inovação e Liderança da Associação Brasileira de Advogados fala ao Pauta Brasil sobre transformação do mercado jurídico, desenvolvimento de lideranças e os desafios da advocacia no século XXI.
No cenário atual da advocacia, marcado por profundas transformações tecnológicas, novas demandas sociais e mudanças na forma de atuação profissional, a capacidade de inovar e liderar tornou-se uma competência essencial para os advogados que desejam crescer e se destacar no mercado jurídico. Atenta a essa realidade, a Associação Brasileira de Advogados (ABA) tem buscado valorizar profissionais que, além de sólida formação jurídica, demonstram compromisso com o fortalecimento institucional da classe e com a construção de novos caminhos para a advocacia.
É nesse contexto que o Ordem Democrática apresenta a entrevista com a Dra. Beatriz Walcher Silva Montorsi, Presidente da Comissão Nacional de Inovação e Liderança da ABA. Advogada formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pós-graduada em Direito Público e Privado pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), com formação como conciliadora pela ESAJ, a Dra. Beatriz construiu uma trajetória marcada pela combinação entre excelência técnica, atuação institucional e visão estratégica da profissão.
Sócia do escritório Suhett e Walcher Advocacia, ela também exerce relevantes funções no ambiente institucional da advocacia, como Secretária-Geral da 3ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/RJ, além de atuar em diversas comissões jurídicas voltadas ao planejamento patrimonial, sucessório e à advocacia extrajudicial. Sua atuação nas áreas de Direito de Família e Sucessório, com ênfase em planejamento matrimonial, patrimonial e sucessório, demonstra sensibilidade para lidar com temas complexos que envolvem patrimônio, relações familiares e segurança jurídica.
À frente da Comissão Nacional de Inovação e Liderança da ABA, Dra. Beatriz tem se destacado por estimular uma advocacia mais preparada para os desafios contemporâneos, incentivando o desenvolvimento de competências estratégicas, a formação de novas lideranças e a construção de redes profissionais capazes de fortalecer a classe em todo o país.
Nesta entrevista exclusiva ao Ordem Democrática, a jurista compartilha reflexões importantes sobre o papel da inovação na advocacia, os desafios da liderança institucional e os caminhos para que advogados de diferentes gerações construam autoridade, visibilidade e relevância profissional em um mercado cada vez mais dinâmico.
Ordem Democrática: Dra. Beatriz, sua trajetória une formação acadêmica sólida e forte atuação institucional. Como essa combinação contribui para sua visão de liderança dentro da ABA?
Acredito que a combinação entre formação acadêmica e atuação institucional proporciona uma visão mais ampla da advocacia. A academia nos convida a refletir criticamente sobre o Direito, enquanto a atuação institucional nos aproxima das demandas reais da profissão e da sociedade. Essa intersecção permite construir uma liderança mais consciente, que valoriza o conhecimento técnico, mas também entende a importância da colaboração, da representatividade e da construção coletiva dentro da advocacia.
Ordem Democrática: A Comissão Nacional de Inovação e Liderança da ABA tem um papel estratégico. Na sua visão, por que inovar na advocacia deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade?
O mercado jurídico mudou de forma significativa nos últimos anos. A forma de se comunicar com clientes, de estruturar escritórios, de gerir equipes e até de prestar serviços jurídicos passou por transformações profundas. Nesse contexto, inovar deixou de ser apenas um elemento de destaque para se tornar uma condição de sobrevivência e relevância profissional. A inovação permite que o advogado atue com mais eficiência, amplie seu alcance e se posicione de forma estratégica em um ambiente cada vez mais competitivo.
Ordem Democrática: A senhora atua em áreas tradicionais como Família e Sucessões, mas também lidera um espaço voltado à inovação. Como equilibrar tradição jurídica e modernização profissional?
O Direito possui fundamentos que são permanentes, especialmente em áreas sensíveis como o Direito de Família e Sucessório. No entanto, a forma como exercemos a advocacia pode e deve evoluir. A inovação não significa abandonar a tradição jurídica, mas aprimorar a forma de aplicá-la. Podemos utilizar novas ferramentas, melhorar a gestão do escritório, ampliar nossa comunicação e desenvolver novas estratégias profissionais, sempre preservando a técnica e a ética que são pilares da advocacia.
Ordem Democrática: Muitos advogados ainda sentem dificuldade em desenvolver habilidades de liderança. Quais competências a senhora considera essenciais para o advogado que deseja crescer institucionalmente?
A liderança na advocacia vai muito além do conhecimento jurídico. Ela envolve visão estratégica e empreendedora, capacidade de comunicação, inteligência emocional e, sobretudo, disposição para servir e construir coletivamente. O advogado que deseja crescer institucionalmente precisa entender que liderança também significa criar pontes, incentivar o desenvolvimento de outros profissionais e contribuir para o fortalecimento da classe.
Ordem Democrática: Como a Comissão pretende ajudar advogados de diferentes regiões do país a se tornarem mais inovadores, visíveis e preparados para as novas demandas do mercado jurídico?
Nosso objetivo é criar um espaço de troca, capacitação e desenvolvimento. Pretendemos promover eventos, conteúdos e iniciativas que incentivem a inovação na prática da advocacia, além de estimular o desenvolvimento de habilidades de liderança. Também buscamos aproximar profissionais de diferentes regiões, criando uma rede de colaboração que permita compartilhar experiências, boas práticas e novas perspectivas para a profissão.
Ordem Democrática: A senhora possui forte atuação em planejamento patrimonial e sucessório. De que forma a inovação pode impactar positivamente essas áreas tão sensíveis e estratégicas?
O planejamento patrimonial e sucessório exige visão estratégica, organização e sensibilidade para lidar com questões familiares e patrimoniais complexas. A inovação pode contribuir significativamente nesse campo, seja por meio de ferramentas de organização e análise patrimonial, seja pela forma como o advogado estrutura seus serviços e se comunica com as famílias. A tecnologia e as novas metodologias de gestão permitem tornar o processo mais claro, eficiente e seguro para os clientes.
Ordem Democrática: A ABA tem como missão promover o crescimento e o reconhecimento profissional dos seus associados. Como a Comissão de Inovação e Liderança se integra a esse propósito institucional?
A Comissão atua justamente como um espaço de desenvolvimento e fortalecimento da advocacia. Ao incentivar a inovação, a formação de lideranças e a construção de redes profissionais, contribuímos diretamente para que os advogados ampliem sua visibilidade, aprimorem sua atuação e se posicionem de forma estratégica no mercado. Dessa forma, ajudamos a concretizar o propósito institucional da ABA de valorizar e impulsionar seus associados.
Ordem Democrática: Para os jovens advogados e também para profissionais experientes que desejam se reposicionar, que mensagem a senhora deixaria sobre liderança, protagonismo e construção de autoridade?
A construção de autoridade na advocacia é um processo que exige consistência, dedicação e propósito. Não se trata apenas de conhecimento técnico, mas também de posicionamento, contribuição e presença ativa na comunidade jurídica. A liderança começa quando o advogado assume o protagonismo da própria trajetória, busca evolução constante e entende que crescer profissionalmente também significa contribuir para o fortalecimento da advocacia como um todo.