Em um cenário global cada vez mais marcado pela mobilidade internacional e pela busca por pertencimento jurídico e cultural, a atuação de profissionais preparados, estratégicos e éticos torna-se indispensável. É nesse contexto que se destaca a trajetória da Dra. Ursula Perugini Nobre de Lima.
Advogada brasileira inscrita na OAB/RJ, com atuação internacional em Direito Migratório e Cidadania Italiana, Ursula também é registrada na Itália como Avvocato Stabilito junto ao Foro de Pisa, consolidando uma presença profissional sólida entre o Brasil, a Itália e diversos países da União Europeia.
Fundadora da Perugini Cidadanias, conduz com excelência técnica processos administrativos e judiciais de reconhecimento da cidadania italiana para descendentes espalhados pelo mundo — assessorando famílias residentes no Brasil, Irlanda, Portugal, Estados Unidos e outros países. Sua atuação estratégica em casos complexos, especialmente diante das recentes reformas legislativas italianas, demonstra profundo domínio jurídico e compromisso com a segurança jurídica de seus clientes.
Além da prática profissional, Ursula integra associações e comissões voltadas à defesa dos direitos dos ítalo-descendentes, participando ativamente de debates sobre constitucionalidade, atualização normativa e boas práticas no setor. Sua atuação não se limita a processos: ela contribui para o fortalecimento de uma rede internacional de profissionais comprometidos com ética, colaboração e rigor técnico.
Reconhecida pela organização processual, visão estratégica e capacidade de enfrentar desafios legislativos contemporâneos, a Dra. Ursula Perugini tem auxiliado centenas de famílias na reconstrução de sua identidade jurídica e na reconexão com suas raízes italianas — transformando o Direito em ponte entre gerações e continentes.
É com grande honra que apresentamos esta entrevista, que revela não apenas uma especialista em cidadania italiana, mas uma profissional que compreende o valor simbólico e jurídico de pertencer a duas histórias: a de origem e a de destino.
Ordem Democrática – Dra. Ursula, como se construiu sua trajetória internacional na advocacia, atuando entre Brasil, Itália e outros países da União Europeia?
Dra. Ursula Perugini – Minha trajetória internacional não foi fruto do acaso, mas de uma construção consciente. Iniciei minha atuação no Brasil como advogada e, ao perceber a crescente demanda por reconhecimento da cidadania italiana, decidi aprofundar meus estudos no direito italiano e europeu. Mudei-me para a Itália em 2021, abri minha partita IVA e passei a atuar diretamente no território, acompanhando processos administrativos e judiciais. Hoje estou inscrita no Brasil, em Portugal e na Itália como Avvocato Stabilito no Foro de Pisa. Essa vivência prática, aliada à atuação transnacional com famílias residentes em diversos países da União Europeia, consolidou uma advocacia verdadeiramente internacional, estruturada e técnica.
Ordem Democrática – O que significa ser Avvocato Stabilito junto ao Foro de Pisa e como isso impacta sua atuação profissional na Itália?
Dra. Ursula Perugini – Ser Avvocato Stabilito junto ao Foro de Pisa significa exercer a advocacia na Itália com reconhecimento formal perante a Ordem italiana, nos termos da normativa europeia. Não se trata apenas de um título, mas de responsabilidade profissional efetiva. Isso me permite atuar diretamente perante os Tribunais italianos, acompanhar audiências, protocolar demandas e manter interlocução institucional com Comuni e órgãos públicos. O impacto é significativo: deixo de atuar apenas como consultora internacional e passo a atuar dentro do sistema jurídico italiano, com presença, responsabilidade técnica e compromisso direto com o ordenamento local.
Ordem Democrática – Quais são hoje os principais desafios enfrentados pelos descendentes que buscam o reconhecimento da cidadania italiana, especialmente após as recentes reformas legislativas?
Dra. Ursula Perugini – O cenário atual é desafiador. As reformas legislativas de 2025 alteraram a dinâmica da cidadania iure sanguinis e trouxeram insegurança jurídica, especialmente quanto à transmissão e à situação de menores. Hoje enfrentamos interpretações divergentes entre Comuni e Tribunais, aumento da judicialização e maior rigor documental. Além disso, há questões estruturais como morosidade administrativa e dificuldades no AIRE. O principal desafio é justamente navegar nesse ambiente de transição legislativa com estratégia jurídica sólida, evitando decisões precipitadas e construindo cada caso com análise individualizada.
Ordem Democrática – Em que situações o processo de reconhecimento da cidadania exige atuação judicial, e não apenas administrativa?
Dra. Ursula Perugini – A via judicial se torna necessária quando há negativa administrativa, demora excessiva, interpretação restritiva das novas normas ou controvérsias na linha sucessória. Também ocorre quando há necessidade de reconhecimento para maiores com situações específicas de naturalização do ascendente ou inconsistências documentais complexas. Em muitos casos, o Judiciário passa a ser o instrumento adequado para garantir segurança jurídica e uniformidade na aplicação da lei, especialmente diante das recentes mudanças legislativas.
Ordem Democrática – Sua atuação alcança famílias residentes em diversos países. Como funciona, na prática, essa coordenação internacional e quais cuidados são essenciais nesses casos?
Dra. Ursula Perugini – Minha atuação envolve famílias distribuídas entre Brasil, Irlanda, Reino Unido, Portugal e outros países da União Europeia. Na prática, isso exige coordenação minuciosa de documentos emitidos em diferentes jurisdições, controle de apostilamentos, traduções, procurações internacionais e respeito às regras de competência territorial italiana. O cuidado essencial é estruturar o processo de forma centralizada, com organização documental rigorosa e comunicação clara entre todos os membros da família, evitando inconsistências que possam comprometer o andamento do procedimento.
Ordem Democrática – Quais são os erros mais comuns cometidos por quem tenta conduzir o processo sem orientação especializada?
Dra. Ursula Perugini – O erro mais comum é subestimar a complexidade do processo. Muitas pessoas iniciam sem análise prévia da linha genealógica, sem verificar naturalizações do ascendente italiano ou sem corrigir divergências documentais relevantes. Outro equívoco recorrente é escolher a via administrativa quando o caso exige atuação judicial estratégica. A cidadania italiana não é um procedimento padronizado; cada família possui uma estrutura própria que precisa ser juridicamente estudada.
Ordem Democrática – Como Presidente da Comissão Internacional de Cidadania Italiana da ABA, qual é a missão da Comissão e como ela contribui para fortalecer a atuação ética e técnica nessa área?
Dra. Ursula Perugini – Como Presidente da Comissão Internacional de Cidadania Italiana da ABA, minha missão é fortalecer a atuação técnica e ética na área. A Comissão atua na produção de conteúdo jurídico qualificado, debates institucionais e atualização legislativa constante. Buscamos orientar advogados para que atuem com responsabilidade, transparência e respeito às normas brasileiras e italianas, elevando o nível técnico da advocacia especializada e protegendo os descendentes de práticas inadequadas.
Ordem Democrática – Para além da mobilidade internacional, qual é o verdadeiro significado jurídico e simbólico da cidadania italiana para as famílias descendentes?
Dra. Ursula Perugini – A cidadania italiana, para além da mobilidade europeia, representa o reconhecimento jurídico de uma história familiar. É a formalização de um vínculo que nunca deixou de existir no plano do sangue, mas que precisa ser reconhecido no plano jurídico. Para muitas famílias, é reconexão identitária, reparação histórica e construção de oportunidades para as próximas gerações. É direito, mas também pertencimento.