Entrevista com o advogado Esdras Dantas – Inteligência Artificial na Advocacia: Ameaça ou Oportunidade?

O Presidente da Associação Brasileira de Advogados, Esdras Dantas, analisa os impactos da Inteligência Artificial no Direito e explica como a tecnologia pode fortalecer — e não enfraquecer — a profissão.

Preâmbulo

Diante das transformações tecnológicas que impactam todas as áreas da sociedade, a advocacia também vive um momento decisivo. Atento a essa realidade, o Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA), Esdras Dantas, implementou um treinamento institucional voltado ao uso consciente e ético da Inteligência Artificial na prática jurídica.

A iniciativa busca orientar advogados que ainda não estão familiarizados com a tecnologia, permitindo que possam organizar melhor suas ideias, estruturar conteúdos técnicos e fortalecer sua autoridade profissional com o apoio de ferramentas que já se tornaram indispensáveis no dia a dia.

O curso “Advocacia Visível: Como Usar o ChatGPT para Crescer, Aparecer e Prosperar com Ética” integra esse esforço, reafirmando a missão da ABA de promover o crescimento e o reconhecimento profissional de seus associados.

Nesta entrevista ao Ordem Democrática, Esdras Dantas analisa se a Inteligência Artificial representa uma ameaça ou uma oportunidade para a advocacia brasileira.

Ordem Democrática – Presidente, a Inteligência Artificial é uma ameaça real à advocacia?

Esdras Dantas:
A Inteligência Artificial não é uma ameaça à advocacia. Ela é uma ameaça apenas à acomodação.

A advocacia é função essencial à Justiça e envolve interpretação, estratégia, ética, responsabilidade e sensibilidade humana. Nenhuma tecnologia substitui esses elementos.

O que a IA faz é automatizar tarefas repetitivas, permitindo que o advogado concentre sua energia no que realmente importa: análise jurídica qualificada e construção de soluções estratégicas.

A pergunta não é se a IA substituirá advogados.
A pergunta correta é: quais advogados saberão utilizá-la com inteligência?

Ordem Democrática – O uso da IA no Direito deve ter limites éticos?

Esdras Dantas:
Sem dúvida.

O uso da Inteligência Artificial precisa respeitar três pilares fundamentais: ética profissional, responsabilidade técnica e confidencialidade.

A ferramenta pode auxiliar na pesquisa, na organização de ideias e na elaboração inicial de textos, mas a responsabilidade final sempre será do advogado.

Automatizar sem revisar é irresponsabilidade.
Usar tecnologia com consciência é evolução.

A inovação só é legítima quando caminha ao lado da ética.

Ordem Democrática – Existem riscos na automação excessiva do trabalho jurídico?

Esdras Dantas:
Sim, existem riscos reais.

O primeiro é a superficialidade.
O segundo é a padronização acrítica.
O terceiro é a dependência intelectual.

Se o advogado utiliza a IA como substituta do raciocínio, ele enfraquece sua autoridade profissional.

Por outro lado, se utiliza a tecnologia como ferramenta estratégica — para estruturar argumentos, organizar pensamentos e otimizar tempo — ele amplia sua capacidade produtiva.

A tecnologia não deve eliminar o pensamento jurídico.
Ela deve potencializá-lo.

Ordem Democrática – Como o advogado pode usar a IA para gerar autoridade profissional?

Esdras Dantas:
Hoje muitos advogados possuem excelente conhecimento técnico, mas têm dificuldade em se posicionar.

A Inteligência Artificial pode auxiliar na estruturação de artigos, organização de palestras, criação de roteiros, planejamento de conteúdo jurídico e sistematização de teses.

Quando bem utilizada, ela transforma conhecimento disperso em conteúdo estratégico.

Autoridade se constrói com três elementos: competência, visibilidade e consistência.

A IA pode ajudar na visibilidade e na organização.
Mas a competência permanece essencialmente humana.

Ordem Democrática – É nesse contexto que surge o curso “Advocacia Visível”?

Esdras Dantas:
Exatamente.

Percebemos que muitos advogados têm boas ideias, mas não conseguem expressá-las com clareza e estratégia.

O curso “Advocacia Visível: Como Usar o ChatGPT para Crescer, Aparecer e Prosperar com Ética” nasceu para ensinar o advogado a usar a tecnologia com responsabilidade e inteligência.

Não se trata de produzir textos automáticos.
Trata-se de organizar pensamento, estruturar posicionamento e fortalecer autoridade.

Nosso objetivo é garantir que nenhum advogado fique para trás em uma transformação que já é realidade.

Essa é a missão institucional da ABA: promover crescimento e reconhecimento profissional.

Ordem Democrática – A formação contínua tornou-se obrigatória na era digital?

Esdras Dantas:
Mais do que obrigatória — tornou-se indispensável.

A advocacia mudou. O mercado mudou. A sociedade mudou.

O advogado que ignora a tecnologia corre o risco de isolamento profissional.
O advogado que abandona a técnica jurídica em nome da tecnologia também se fragiliza.

O futuro pertence a quem integra conhecimento jurídico sólido com ferramentas modernas.

Formação contínua deixou de ser diferencial.
Hoje, é requisito de permanência e relevância.

Ordem Democrática – Qual mensagem final o senhor deixa aos advogados e à sociedade?

Esdras Dantas:
A advocacia não será substituída pela tecnologia.

Ela será fortalecida por aqueles que souberem utilizá-la com ética, inteligência e propósito.

A Inteligência Artificial não retira a dignidade da profissão.
Ela desafia o advogado a evoluir.

E a Associação Brasileira de Advogados continuará cumprindo sua missão: preparar seus membros para o presente e para o futuro, garantindo que a advocacia permaneça instrumento de Justiça e transformação social.

O futuro não pertence aos que resistem à mudança.
Pertence aos que a compreendem e a conduzem.

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