A advocacia não é uma profissão fácil.
E não é fraqueza admitir isso.
Há dias em que o telefone não toca.
Há meses em que os honorários atrasam.
Há momentos em que o reconhecimento não vem — mesmo depois de anos de estudo, dedicação e renúncia pessoal.
Muitos advogados se sentem desvalorizados, inseguros, quase invisíveis.
Não porque lhes falte capacidade.
Mas porque o mercado se tornou competitivo, fragmentado e, muitas vezes, indiferente ao esforço individual.
A vocação é essencial.
Mas vocação sozinha não sustenta carreira.
É nesse ponto que entra uma verdade que precisa ser dita com serenidade e firmeza:
ninguém cresce sozinho por muito tempo.
A importância das associações que constroem caminhos
Associações de advogados que possuem projeto, método e propósito cumprem papel estratégico na superação das dores da profissão.
Elas podem:
- Criar redes de apoio e indicação profissional
- Estimular especialização e atualização constante
- Promover visibilidade institucional qualificada
- Fomentar parcerias entre colegas de diferentes estados
- Desenvolver lideranças comprometidas com crescimento coletivo
Não se trata de discursos.
Trata-se de estrutura.
Quando uma associação organiza encontros, cria comissões temáticas, promove debates qualificados e aproxima profissionais experientes e jovens advogados, ela reduz a sensação de isolamento que tantos enfrentam.
E foi com essa visão que, desde 2002, a Associação Brasileira de Advogados nasceu: com o propósito claro de promover o crescimento e o reconhecimento profissional dos seus associados, no Brasil e no exterior.
Esse propósito não mudou.
Ele amadureceu.
Um marco de união: o I Encontro Nacional de Associações de Advogados
Um exemplo concreto dessa missão foi a realização do I Encontro Nacional de Associações de Advogados, promovido pelo presidente da ABA, Esdras Dantas de Souza, em Brasília, no Hotel Naoum, realizado nos dias 24 e 25 de junho de 2005.
O evento não foi apenas uma reunião institucional.
Foi um gesto de responsabilidade coletiva.
Na mesa de abertura estiveram:
- O ministro do Superior Tribunal de Justiça, João Octavio de Noronha
- O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Marcelo Ribeiro
- O advogado Cláudio Lamachia, à época presidente da Associação dos Advogados do Banco do Brasil
Também compuseram a mesa os dirigentes da ABA naquele período:
Hugo Wolovikis Braga, vice-presidente, e os advogados A. Machado e Renata.
Mais do que nomes de peso, o que marcou aquele encontro foi o conteúdo:
60 dirigentes de associações de advogados de todo o país reunidos para trocar informações, compartilhar experiências e potencializar parcerias profissionais.
Em um ambiente onde muitas vezes predomina a concorrência, ali prevaleceu a cooperação.
Não romantizar a dor — mas oferecer caminho
É preciso reconhecer: a advocacia enfrenta desafios estruturais.
Excesso de profissionais.
Judiciário sobrecarregado.
Clientes cada vez mais exigentes.
Pressão emocional constante.
Não se trata de romantizar o sofrimento.
Trata-se de oferecer direção.
Quando advogados se reúnem de forma organizada, com propósito institucional claro, criam soluções práticas para dores comuns:
- Mentorias
- Eventos de qualificação
- Ambientes de networking estruturado
- Projetos de visibilidade ética
- Parcerias estratégicas entre estados
Essas iniciativas não eliminam as dificuldades do mercado.
Mas reduzem a solidão profissional.
E isso faz diferença.
Vocação precisa de estratégia
Muitos advogados entraram na profissão movidos por ideal.
Mas permanecer nela exige planejamento.
Vocação precisa caminhar ao lado de:
- Posicionamento profissional
- Participação institucional ativa
- Construção de autoridade no nicho
- Apoio coletivo
Desde sua fundação, em 2002, a ABA compreendeu que o advogado precisa mais do que inscrição na ordem profissional.
Precisa de ambiente de crescimento.
E encontros como o realizado em Brasília demonstram que quando lideranças se unem, o resultado ultrapassa o simbolismo e gera impacto concreto.
Um chamado à consciência profissional
Se você, advogado ou advogada, sente-se desvalorizado, inseguro ou invisível, talvez a resposta não esteja em trabalhar mais horas.
Talvez esteja em trabalhar com conexão.
A história mostra que movimentos coletivos bem estruturados transformam realidades individuais.
A advocacia brasileira precisa de profissionais tecnicamente preparados — mas também integrados, apoiados e estrategicamente posicionados.
O I Encontro Nacional de Associações de Advogados não foi apenas um evento do passado.
Foi um marco de consciência institucional:
crescer é possível, mas crescer junto é mais sustentável.
E essa continua sendo a essência da missão da ABA:
promover crescimento, estimular reconhecimento e fortalecer advogados para que enfrentem suas dores não com resignação, mas com estratégia, propósito e união.