Amar o Direito é, sem dúvida, um ponto de partida nobre. A vocação move escolhas, sustenta valores e dá sentido à profissão. Mas a realidade da advocacia contemporânea tem sido dura com uma crença antiga: amor ao Direito, sozinho, não sustenta uma carreira.
Todos os dias, advogados altamente capacitados — éticos, estudiosos e comprometidos — enfrentam dificuldades financeiras, insegurança profissional e uma sensação persistente de estagnação. E isso não acontece por falta de competência técnica. A causa, quase sempre silenciosa, é outra: a ausência de estratégia.
Vocação sem direção vira peso.
Talento sem posicionamento vira invisibilidade.
A advocacia do século XXI não permite mais improviso como regra. O mercado mudou, o comportamento do cliente mudou e a própria dinâmica da profissão exige algo além do domínio jurídico. Planejamento de carreira, comunicação profissional, construção de autoridade e visão de futuro deixaram de ser diferenciais — tornaram-se elementos de sobrevivência.
Ainda persiste, entre muitos advogados, o receio de que estratégia “desumanize” a profissão. O efeito é exatamente o oposto. A falta de estratégia é que adoece o advogado, gerando sobrecarga, desvalorização e desgaste emocional. Estratégia bem aplicada protege a vocação, preserva a dignidade profissional e cria condições reais para o exercício ético e sustentável da advocacia.
Pensar estrategicamente não significa mercantilizar o Direito. Significa compreender o próprio lugar no mercado, definir um posicionamento coerente, comunicar com clareza o valor do trabalho jurídico e estabelecer limites saudáveis na relação com clientes e demandas.
É nessa convergência entre propósito e inteligência profissional que se fortalece uma advocacia mais consciente. A Associação Brasileira de Advogados defende exatamente esse caminho: uma advocacia que honra sua vocação, mas que também se estrutura com visão estratégica. Uma advocacia que não romantiza a precariedade nem normaliza o sofrimento profissional.
Ao promover reflexão, pertencimento institucional e acesso a ambientes de crescimento, a ABA reforça uma mensagem essencial para a classe: o advogado não precisa escolher entre propósito e prosperidade. Quando há estratégia, a vocação deixa de ser um fardo e volta a ser aquilo que sempre deveria ser — fonte de realização, impacto social e crescimento profissional.
A advocacia precisa de paixão, sim.
Mas precisa, sobretudo, de direção.
E é nesse equilíbrio que a profissão encontra seu futuro.