Democracia, Justiça e o papel humano da advocacia brasileira
Ordem Democrática – Em um momento histórico em que as instituições são colocadas à prova e a democracia exige vigilância permanente, a advocacia ocupa um papel central na defesa do Estado de Direito. À frente da Associação Brasileira de Advogados (ABA), Esdras Dantas de Souza tem se destacado por uma atuação que combina técnica jurídica, sensibilidade social e compromisso democrático. Nesta entrevista ao Ordem Democrática, ele reflete sobre sua trajetória, sua visão institucional e os desafios contemporâneos da advocacia brasileira.
Ordem Democrática – Dr. Esdras, como sua trajetória profissional moldou sua visão sobre o papel da advocacia na democracia?
Esdras Dantas – Minha trajetória foi construída no contato direto com a realidade social brasileira. A advocacia me ensinou, na prática, que o Direito não existe no abstrato. Ele serve para equilibrar forças, proteger os vulneráveis e garantir que a lei não seja privilégio de poucos. Quando o advogado compreende isso, passa a entender que seu papel não é apenas técnico, mas profundamente democrático.
Ordem Democrática – A ABA tem adotado um discurso institucional fortemente humanizado. Qual a razão dessa escolha?
Esdras Dantas – Porque não existe democracia forte com profissionais fragilizados. Durante anos, a advocacia foi tratada como uma engrenagem fria do sistema. Nós escolhemos romper com isso. Advogados são agentes essenciais da Justiça e precisam de respaldo institucional, emocional e profissional. A ABA nasce com esse compromisso: fortalecer pessoas para fortalecer instituições.
Ordem Democrática – Quais são hoje as principais frentes de atuação da ABA sob sua liderança?
Esdras Dantas – Atuamos em três frentes estratégicas. A primeira é a valorização institucional da advocacia, garantindo voz, visibilidade e respeito aos profissionais. A segunda é a formação crítica e contínua, que ultrapassa a técnica e aborda ética, cidadania e responsabilidade social. A terceira é o acolhimento democrático, especialmente daqueles que estão à margem do debate ou em início de carreira. A advocacia não pode ser um espaço de exclusão.
Ordem Democrática – O senhor afirma que a advocacia não pode se afastar de sua função social. Como isso se traduz no cotidiano?
Esdras Dantas – Traduz-se em postura. O advogado precisa compreender que cada atuação sua impacta a confiança da sociedade na Justiça. Quando agimos com responsabilidade, equilíbrio e compromisso com a verdade, fortalecemos a democracia. Quando nos omitimos ou banalizamos o Direito, enfraquecemos o sistema. A função social da advocacia é permanente, mesmo fora dos tribunais.
Ordem Democrática – Como o senhor avalia os desafios atuais enfrentados pela advocacia brasileira?
Esdras Dantas – Vivemos um tempo de excesso de informação, pressão por resultados rápidos e descrédito institucional. O desafio é resistir à superficialidade e manter a integridade profissional. A tecnologia avança, os modelos de trabalho mudam, mas a essência da advocacia permanece: defender direitos, garantir equilíbrio e preservar a ordem democrática.
Ordem Democrática – Que mensagem o senhor deixa para os advogados e estudantes de Direito que acompanham o Ordem Democrática?
Esdras Dantas – A democracia não se sustenta sozinha. Ela depende de profissionais conscientes, preparados e comprometidos. Ser advogado é assumir um dever com a sociedade, mesmo quando isso exige coragem. A advocacia continua sendo uma das mais nobres formas de servir ao país — desde que não percamos nossa humanidade no caminho.
Ordem Democrática – Considerações finais
A entrevista com Esdras Dantas de Souza reafirma a advocacia como pilar indispensável da democracia brasileira. Em tempos de incerteza institucional, sua liderança aponta para um caminho de equilíbrio entre técnica, ética e compromisso social.
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