Morre o desembargador Maurício Miranda, referência do Direito no DF e protagonista de julgamentos históricos

O magistrado do TJDFT faleceu em Goiânia neste domingo (4); trajetória marcou o enfrentamento a crimes que chocaram o país e a defesa intransigente da Justiça

A Justiça do Distrito Federal perdeu, neste domingo (4), um de seus nomes mais respeitados. Morreu em Goiânia o desembargador Maurício Silva Miranda, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), aos 63 anos. Com mais de quatro décadas dedicadas ao serviço público, o jurista construiu uma carreira sólida no Ministério Público e no Judiciário, atuando em casos emblemáticos que marcaram a história recente de Brasília e do Brasil.

Reconhecido pela postura técnica, firmeza institucional e compromisso com os direitos fundamentais, Maurício Miranda deixou uma marca indelével na atuação penal e cível do DF.

Uma trajetória ligada a casos que chocaram o país

Antes de chegar ao TJDFT, Maurício Miranda teve atuação destacada como promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Nesse período, conduziu acusações em crimes de grande repercussão social.

Entre eles, o chamado Crime da 113 Sul, ocorrido em 2009, quando um casal de advogados de prestígio e uma empregada doméstica foram assassinados em um apartamento de área nobre de Brasília. O caso mobilizou a opinião pública e exigiu atuação rigorosa das instituições.

Outro episódio histórico foi o assassinato do indígena Galdino Jesus dos Santos, em 1997, quando cinco jovens atearam fogo em um homem da etnia Pataxó enquanto ele dormia em um ponto de ônibus. O crime tornou-se símbolo da luta contra a violência, o preconceito e a impunidade.

Maurício Miranda também participou da apuração do assassinato do jornalista Mário Eugênio de Oliveira, morto em 1984, e do caso do estudante João Cláudio Leal, espancado até a morte em frente a uma boate na Asa Sul, no ano 2000.

Reconhecimento institucional e homenagens

Em nota oficial, o MPDFT lamentou a morte do magistrado e prestou solidariedade à família, amigos e colegas de carreira. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional DF também se manifestou, destacando a relevância do jurista para o fortalecimento do sistema de Justiça.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou que Maurício Miranda “era um excelente profissional do Direito” e ressaltou sua dedicação ao Ministério Público e, mais recentemente, ao TJDFT. “Uma grande perda para o DF”, declarou.

Para o advogado Esdras Dantas de Souza, ex-conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público e presidente da Associação Brasileira de Advogados, o legado do desembargador ultrapassa os autos e as decisões judiciais.

“Maurício Miranda foi um exemplo de servidor público comprometido com a Justiça, com a ética e com a defesa da sociedade. Sua atuação firme em casos sensíveis ajudou a consolidar a confiança da população nas instituições”, afirmou.

Carreira marcada por estudo, vocação e serviço público

Nascido em Brasília, Maurício Miranda era formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e em Economia pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF). Também possuía mestrado em Direito pela Universidade Católica de Brasília (UCB).

Ingressou no serviço público aos 21 anos, no Ministério Público de Goiás (MPGO), e, em 1991, passou a integrar o MPDFT como promotor de Justiça. Em 2023, foi empossado desembargador do TJDFT, onde atuava na 7ª Turma Cível e na 1ª Câmara Cível.

A morte de Maurício Miranda encerra uma trajetória de dedicação ao Direito e à vida pública, mas deixa um legado de coragem institucional, preparo técnico e compromisso com a verdade. Em tempos de descrédito e polarização, sua história reforça a importância de magistrados que compreendem a Justiça como missão — não como palco.

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