A saúde mental dos profissionais do Direito tornou-se uma pauta urgente no Brasil. A rotina intensa de prazos, audiências, cobranças emocionais e pressão constante tem levado advogados e advogadas a um nível de desgaste psicológico que já ultrapassa os limites do aceitável. Burnout, ansiedade e isolamento se tornaram parte do cotidiano de uma categoria que historicamente aprendeu a esconder a dor e sustentar uma imagem de força inabalável.
O problema deixou de ser individual. É institucional. É social. E precisa ser enfrentado com seriedade.
Uma profissão que carrega tudo — menos espaço para desabafar
A advocacia é marcada por responsabilidades pesadas: defender direitos, mediar conflitos, enfrentar injustiças, sustentar emocionalmente clientes desesperados e tomar decisões que muitas vezes afetam a vida inteira de alguém.
O que pouca gente vê é o custo emocional dessa missão.
Estudos recentes apontam que:
- profissionais do Direito estão entre os mais suscetíveis ao esgotamento mental,
- a taxa de ansiedade na advocacia é crescente,
- muitos advogados trabalham sob pressão contínua e sem rede de apoio,
- a solidão profissional afeta diretamente o desempenho e a qualidade de vida.
No silêncio dos escritórios, nos corredores dos fóruns ou no retorno para casa após um dia exaustivo, inúmeros advogados enfrentam crises emocionais que raramente são compartilhadas.
Há um tabu que insiste em dizer que “advogado aguenta tudo”.
Esse tabu adoece.
Quando o cuidado se torna essencial: o surgimento do “ABA no Divã”
Diante dessa realidade, a Associação Brasileira de Advogados (ABA) lançou o projeto “ABA no Divã”, uma iniciativa de acolhimento psicológico e emocional voltada para a classe jurídica.
O projeto se tornou referência nacional porque rompeu uma barreira histórica:
a ideia de que o advogado precisa ser forte o tempo todo.
O “ABA no Divã” oferece:
- encontros com especialistas,
- debates sobre saúde mental,
- espaço seguro para compartilhar vivências,
- conteúdo educativo,
- apoio institucional sem julgamentos,
- fortalecimento emocional para a prática jurídica.
A iniciativa levou para dentro da advocacia uma mensagem inédita:
cuidar do emocional não é fraqueza — é estratégia, produtividade e preservação da carreira.
Uma mudança necessária para o futuro do Direito
Saúde mental deixou de ser um tema “paralelo” e se tornou central na sustentabilidade da advocacia.
Profissionais emocionalmente equilibrados são mais produtivos, mais éticos e mais resilientes.
A longo prazo, ignorar o sofrimento da classe jurídica compromete:
- sua capacidade de atender à sociedade,
- a qualidade dos serviços jurídicos,
- a formação das novas gerações,
- e a própria integridade da profissão.
Projetos como o “ABA no Divã” mostram que é possível construir uma advocacia mais humana, mais consciente e mais preparada para os desafios contemporâneos.
Uma advocacia que acolhe.
Que escuta.
Que preserva vidas.
Que protege propósitos.
Conclusão: um convite à transformação
A saúde mental dos advogados não é apenas um tema de interesse jurídico.
É um tema de interesse público.
O Pauta Brasil reforça a importância do debate e destaca o papel essencial de iniciativas que resgatam a dignidade emocional de milhares de profissionais.
O futuro da advocacia brasileira passa, inevitavelmente, por uma cultura de cuidado.
E a ABA já deu o primeiro passo.
A advocacia que queremos — forte, ética e humana — só será possível quando começarmos a cuidar de quem cuida do Direito.
Associação Brasileira de Advogados – Escola de Líderes – Fábrica de Amigos
Da Redação