Por Dante Navarro
O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data simbólica no calendário. É um chamado à consciência nacional. Um convite à reflexão profunda sobre a realidade enfrentada por milhões de brasileiras que, todos os dias, resistem a violências silenciosas e visíveis, estruturais e domésticas, físicas e psicológicas.
Celebrar esta data exige mais do que homenagens. Exige coragem moral para reconhecer que ainda convivemos com números alarmantes de agressões, abusos e feminicídios. Exige lucidez para compreender que a violência contra a mulher não nasce do acaso — ela se alimenta da cultura do desrespeito, da omissão social e da relativização da dignidade humana.
A mulher brasileira ocupa hoje espaços de liderança na política, no Judiciário, nas universidades, nas empresas, nas comunidades e nos lares. Sua presença fortalece a democracia, aprimora as decisões públicas e humaniza as relações sociais. Ainda assim, paradoxalmente, muitas continuam vivendo sob ameaças, constrangimentos e agressões que ferem não apenas seus corpos, mas sua liberdade e sua autoestima.
Não se trata de um debate ideológico. Trata-se de um pacto civilizatório.
Uma sociedade que tolera qualquer forma de violência contra mulheres fragiliza os próprios alicerces da justiça, da igualdade e da convivência respeitosa. A dignidade feminina não é pauta de grupos específicos — é patrimônio moral da nação.
É necessário que a sociedade se una em torno de um compromisso claro: nenhuma mulher deve ter medo de existir.
Esse compromisso passa pela educação das novas gerações, pelo fortalecimento das redes de proteção, pela aplicação firme das leis e pela vigilância ética sobre políticas públicas. Passa também pela postura de cada cidadão, que pode escolher entre a indiferença e a responsabilidade social.
Desvalorizar a proteção às mulheres, minimizar a gravidade da violência ou tratar o tema como exagero estatístico significa enfraquecer princípios fundamentais de humanidade. O Brasil precisa de políticas públicas eficazes, baseadas em evidências, responsabilidade institucional e respeito absoluto à dignidade feminina.
O futuro que desejamos não comporta retrocessos civilizatórios nem nostalgias de tempos em que mulheres eram silenciadas, subestimadas ou tratadas como incapazes de decidir seus próprios destinos. A história evoluiu — e a consciência social deve evoluir com ela.
O combate à violência contra a mulher não pertence a partidos, ideologias ou correntes de pensamento. Pertence à ética pública, ao dever institucional e à responsabilidade coletiva.
É preciso superar discursos de intolerância e construir ambientes de diálogo, proteção e respeito. O enfrentamento à violência exige união social, cooperação entre instituições e vigilância permanente da cidadania.
Como afirmou o presidente da Associação Brasileira de Advogados, Esdras Dantas de Souza:
“Defender a dignidade da mulher é defender a própria dignidade da sociedade. Não existe justiça verdadeira enquanto brasileiras ainda vivem com medo. A proteção às mulheres não é bandeira de ocasião — é dever moral permanente de todos nós.”
Neste 8 de março, que cada homenagem seja acompanhada de atitude.
Que cada palavra gere consciência.
Que cada gesto fortaleça redes de proteção.
Respeitar as mulheres é fortalecer o Brasil.
Proteger suas vidas é honrar nossa humanidade.
Por Dante Navarro é colunista do Ordem Democrática